Time do Chico Bento

Quando pequeno lia todos os gibis da Turma da Mônica.

Foram um impulso e tanto para pegar gosto pela leitura.

Imagino que para mim esta e outras histórias em quadrinhos tiveram o mesmo efeito que Harry Potter possui em algumas crianças de hoje.

Sempre soube que, igual a mim, Cascão era corinthiano.

E, claro, que o Cebolinha era torcedor do rival.

Até que na semana passada, assistindo ao programa Loucos por futebol, na ESPN Brasil, o convidado era Maurício de Sousa e o brilhante Celso Unzelte tira de sua cartola historiográfica uma edição da revista Placar em que o próprio criador e pai da são-paulina Mônica diz quais são os times de futebol de seus principais personagens.

Sim, Chico Bento, dos meus personagens favoritos é, segundo seu criador,  torcedor do São Bento de Sorocaba, clube da minha cidade natal e o primeiro time que vi atuar em campo, na mesma época em que lia histórias da Turma da Mônica.

Em uma rápida consulta ao oráculo digital, descubro que um blog de sãobentistas já fizera antes essa descoberta que tanto me encantou. Foi de lá que tirei a reprodução da imagem da edição de Placar de lá do início da década de 80.

São Bento é tradição.

Black Sabbath eterno

Foto: AP/Jonathan Short - G1
Foto: AP/Jonathan Short – G1

Apesar de ter nascido pouco tempo depois de Ozzy ser dispensado do Black Sabbath, foi à formação original do grupo e aos seus primeiros álbuns que me voltei durante a adolescência e que me abriram as portas do rock. Entre elas algumas que me levaram à insensatez de entrar em discussões com outros fanáticos por achar que Tony Iommi montou excelentes bandas com Dio e Ian Gillan, por exemplo, mas Black Sabbath só existia de verdade com Ozzy no microfone.

Aos 11 anos, comprei o CD Sabbath Bloody Sabbath, quinto álbum de estúdio da banda e até hoje aquele que ouço com mais carinho. Quase sempre de cabo a rabo.

Depois, compraria o Volume 4, outra preciosidade, até chegar à gênese do heavy metal que foram os dois primeiros: Black Sabbath, título de estreia, e o clássico seguinte, Paranoid.

Porém, confesso:  ao ler pela primeira vez a notícia sobre um novo disco com a formação original (ou ao menos 75% dela, sem o baterista Bill Ward) minha reação foi de pura desconfiança.

Aquela altura já tinha aprendido que a decadência é inevitável  até para meus heróis do rock and roll, portanto não gostaria que o Black Sabbath, minha banda do coração, a registrasse em estúdio como tantas outras clássicas e decadentes bandas fizeram ao lançar novos trabalhos.

Quando saíram as primeiras resenhas, fiz questão de não ler. Fugi da competição – que premia ninguém – para saber quem tem a opinião mais rápida sobre um novo disco liberado na rede. Às vezes, acho que já há “críticos” escrevendo sobre discos que nem serão lançados. Na era digital leva-se muito em conta a velocidade.

Felizmente, o Black Sabbath faz parte de outra época. Tony Iommi consegue ser um dos maiores nomes da guitarra mundial sem precisar tocar milhares de notas por segundo. Basta a nota certa no tempo exato. Isso faz diferença.

Inclusive, revelam as notas da imprensa, uma dos acertos do experiente produtor Rick Rubin foi deixar os tiozões à vontade no estúdio para tocar sem pressa e deixar que as músicas cumprissem seus ciclos de 5, 6 ou até mais minutos de duração.  Depois, fiz minha parte e ouvi o disco novo com calma mais de uma vez. Sensação de ótima surpresa. Diria até que “13”, como Ozzy batizou o álbum novo, chega a ser melhor do que alguns trabalhos pré-separação da banda no fim dos anos 70.

Tudo isso encerrava uma questão. Sim, eles ainda são capazes de fazer novas músicas boas! Só faltava vê-los ao vivo.

Ozzy no mesmo palco que  Tony Iommi. Sinceramente achei que nunca teria oportunidade de ver essa cena. No entanto, assistir a isso com o guitarrista passando por um tratamento de câncer e Ozzy voltando à rotina do que foi toda a sua vida – uma  reabilitação sem fim – já parecia roteiro de filme. E não é que foi mesmo?

Se não há mais a mesma energia natural de quem tem 20 ou 30 e poucos anos, nem com o gás proporcionado por otras cositas, alguns sinais nem o tempo apaga. Ao contrário, os tornam ainda mais marcantes.

A velhice deixou Ozzy com mais jeito de bruxo-alucinado. Seu carisma está intacto e ele até aprendeu a lidar melhor com a voz para não desafinar tanto durante seus berros.  Tony Iommi, em seu sobretudo preto e sem as duas pontas dos seus dedos da mão esquerda que o fizeram se reinventar enquanto  músico, mantém a pegada monstruosamente pesada em sua guitarra. É o pai da banda e tudo começou por ele. Geezer Butler, baixista e letrista, é quem dá o ritmo tranquilo,  seguro e, claro, com todo o arsenal de graves que as músicas mais sombrias da história do rock exigem. Durante as duas horas de apresentação permanece praticamente estático em um dos cantos do palco. É a cama perfeita para Iommi deitar com potentes solos.

Não há telão de alta definição, não há coreografias, não há efeitos especiais, nem pirotécnicos.  Este um luxo reservado somente para mestres capazes de reter a atenção de 70 mil pessoas apenas com música e presença de palco enquanto o espetáculo prossegue entre delírios do público extasiado e os sorrisos dos velhos roqueiros.

Definitivamente, o Black Sabbath trilhou nas sombras do rock seu caminho para a eternidade na música. E eu que cheguei por décadas atrasado pude vê-los e ouvi-los de perto.

PS.: Mais uma vez a organização de um grande evento em São Paulo foi horrorosa e indigna da apresentação de uma banda histórica como o Sabbath e completamente desrespeitosa para com um público que pagou um dos ingressos mais caros da turnê mundial da banda. Mas sobre isso prefiro não me estender por já não ter mais esperança de que alguma coisa mude para melhor ainda neste século. 

Violência sobre rodas

Há algum tempo venho matutando – e protelando – para escrever algo sobre meu gosto de pedalar. Nesse período, alguns temas vieram à mente. Pensei em falar sobre o prazer de pedalar, o sentimento de liberdade ao rodar por diferentes bairros, parques e avenidas da cidade;pensei em tratar sobre as diferenças entre criar ciclofaixas de lazer e desenvolver uma estrutura de transporte urbano para bicicletas?; ou simplesmente escrever um manifesto pelo uso das  magrelas – alguém ainda chama as bikes assim? – como prática de esporte e, ao mesmo tempo, solução para um sistema de transporte completamente falido. Dava até para fazer um textinho sobre como elas servem até para o turismo, ao menos para quem aprecia desbravar pontos famosos das cidades sem a necessidade de parar o carro em estacionamento ou passar rápido sem observar com mais atenção.Certamente há muito a se falar. Inclusive, há um assunto que preferia não escrever. Aquele que diz respeito à convivência entre bicicletas e veículos motorizados no trânsito. Uma discussão que volta e meia retorna ao mesmo ponto de partida, geralmente recomeçando com mais um caso trágico de ciclista atropelado e uma posterior divisão entre os defensores radicais dos pedais, os cicloativistas, e o cidadão comum, os quais vou levar em conta apenas os que tentam enxergar além do próprio para-brisa. O percurso é quase sempre o mesmo e, invariavelmente, chega-se pelo mesmo relativismo à constatação mais trivial: a estupidez existe atrás do volante do automóvel e também sobre o selim da bicicleta.Por essas e outras, não queria me meter nessa trilha tortuosa temendo dar voltas inúteis e soar repetitivo. Até porque como alguém que gosta mais de pedalar do que dirigir, minha inclinação natural poderia ser apontar que o local mais fácil para se encontrar um imbecil na cidade grande é dentro de um automóvel. Principalmente, se for em um desses “utilitários” grandões, que em uma cidade na qual falta espaço, certamente devem ter alguma outra coisa útil que não seja o tamanho. Nem a truculência com que alguns trafegam.Mas no último final de semana fiquei chocado. Outra vez, um ciclista foi atropelado na Avenida Paulista, onde frequentemente gosto de passear. Mas, confesso: evito pedalar ali porque não vejo condições mínimas de segurança. É verdade que dessa vez o ciclista não morreu. Mas em virtude do choque brutal contra o automóvel, seu braço foi decepado pelo impacto e acabou preso ao veículo. Sem prestar socorro á vítima, o motorista do carro fugiu e se desfez do braço jogando-o em um córrego.

Se não fosse mais uma produção melancólica da vida real em São Paulo, o enredo passaria sem sobressaltos por uma cena de Mad Max, um dos filmes violentos de Mel Gibson que mostra o mundo em disputa sangrenta após a devastação completa pela guerra. É o trânsito de São Paulo cada vez mais parecido com a “cúpula do trovão”, onde só um chegará vivo ao seu destino.

O carro, menos do que um meio de transporte, é cada vez mais símbolo de um plano urbanístico fracassado. Peça de um sistema de transporte em colapso. Paradoxalmente, cada vez mais confortáveis, espaçosos e conectados à tecnologia, no dia a dia duro da cidade grande os automóveis são reduzidos a meros entulhos de lata enfileirados, gerando dezenas ou centenas de milhões de horas improdutivas que contrariam a própria noção capitalista que os sustenta e os estabeleceu na cultura como símbolo de sucesso, ostentação e potência. Inclusive a sexual. Na realidade fora das propagandas, carros hoje podem ser vistos também como desperdício de tempo, de paciência e de saúde.
Mas como todo sistema de rodas e engrenagem mais complexo, a tensão na convivência do trânsito vai além da singela dicotomia carro-bicicleta. E é por isso que não adianta nenhum dos lados partir para o confronto. Como ensinou o escritor americano Stephen Crane, definitivamente não há glórias na guerra, apenas uma mancha de sangue. E nessa guerra civil do trânsito, que infelizmente parece já ter começado, as armas estão postas sobre rodas. Justamente a roda, invenção do homem que marca um dos pontos de partida em direção à civilização e ao conhecimento, se tornou o epicentro de uma discussão que gira em círculos sem chegar a uma solução. Vil ironia, é sobre as rodas que o ser humano comete suas mais estúpidas barbáries. Sobre rodas ele nega sua própria evolução.Mas como um adepto das voltas de bike (não me acostumo a grafar assim, mas vá lá), achei que poderia escrever para tentar ao menos encontrar algumas explicações. Pedalando semanalmente nos últimos anos, tenho notado alguns fatos que podem dar evidências sobre o real problema – veja bem, não é uma pesquisa, apenas percepção.Sinto que há um aumento dos motoristas de automóveis que respeitam o espaço do ciclista. Alguns até oferecem prioridade na passagem e ultrapassam com cuidado, atentando-se a uma distância segura. Sinceramente, acredito que há uma parcela que parece disposta a “aceitar” a divisão da via pública. Essa é a boa notícia.Por outro lado, nas ciclofaixas e nos parques, justamente onde há uma proposta clara de lazer, percebo um aumento considerável de ciclistas mal educados, transportando para o pedal os mesmos sintomas e vícios que já estamos calejados de ver sobre quatro rodas. Em lugares onde se poderia reinar a tranquilidade, não é difícil se deparar com um ciclista energúmeno. Para chegar sabe-se lá onde mais rápido, faz ultrapassagens e manobras arriscadas e coloca em risco seus pares. Muitas vezes ignoram até crianças em suas bicicletas com rodinhas.

Como sou também um pedestre assíduo, outras cenas desse tipo não me escapam. Ciclistas também atropelam as regras de trânsito e do bom senso ao andar em alta velocidade sobre calçadas cheias de passantes; enfrentam a contra-mão de vias principais expondo ainda mais a própria fragilidade ou, ainda, atrapalham outros ciclistas que tentam, por sua própria segurança, seguir o fluxo normal como sugere o código de trânsito. Sobre uma bicicleta, alguns ameaçam  pedestres da mesma forma que talvez fariam com outros ciclistas se estivessem em um carro.

Ah, e a pressa e a impaciência transcorrem exatamente como no trânsito “tradicional”. Posso estar exagerando, mas até as quedas parecem aumentar desde a primeira vez que percorri uma dessas ciclofaixas e, em pouco tempo, não me estranharia se as desavenças – com ou sem palavrões, indo ou não às vias de fato,-  começassem a surgir a cada nova barbeiragem ciclística.Por isso, a ferrugem que corrói  continuamente a estrutura da convivência pacífica não está somente em quem anda de carro. Tampouco só nos ciclistas (ou nos cicloativistas). Não podemos levar adiante o tema como uma luta de classes. Admito que talvez não tenha todas as respostas para dar visão a quem dirige com olhos vendados pelo individualismo exacerbado ou simples ignorância.Só não quero ficar parado no meio da pista. Acredito que a redução de carros nas ruas tornará o sistema de transporte melhor, deverá diminuir os dados trágicos e, quem sabe, abrir espaço para um sistema de transporte menos estressante. E  muita gente também já se deu conta sobre a inviabilidade dos carros e, por isso, está tentando se adaptar a uma bicicleta – que bom! Logo, o tráfego delas tende a crescer cada vez mais e será preciso fazer esse contingente entender que ciclistas também precisam cumprir suas obrigações. Seja para não prejudicar aqueles que andam a pé, seja para ter consciência de sua fragilidade frente aos seus colegas de lata e aço e a importância do uso de certos equipamentos e do respeito a algumas regras de segurança.E nesse momento, luz amarela, sinto desapontar o leitor porque após andar todo esse caminho, posso chegar a um lugar comum. Isso porque minha conclusão é de que o caminho mais curto para civilizar nosso trânsito está de novo naquela via tão pouco cuidada da sociedade brasileira: a educação.

Quem sabe falando das diferenças dos direitos e deveres de carros, bicicletas e pedestres desde a escola infantil. Quem sabe com campanhas na Internet, na TV, nos parques, nas ciclofaixas e onde mais for necessário. Quem sabe com mais fiscalização e orientação para quem comete abusos dentro dos carros ou em cima das bicicletas.

Um bom começo já seria ver não apenas ciclistas protestando quando alguém sobre uma bicicleta é atingido. Afinal, muita gente ainda finge que um ciclista atropelado não lhe diz respeito. Todos somos vítimas de um trânsito violento e mesmo aqueles que nunca sentaram a bunda em um selim precisam se comover, se indignar e se for o caso, andar pelados juntos aos ciclistas nas ruas da cidade. Do seu lado, os ciclistas também podem começar a ensinar seus colegas sobre duas rodas como se comportar de maneira menos desorganizada nas ruas, calçadas e ciclovias.

Certamente há uma longa estrada pela frente. Só não dá mais para ver tanta gente morrendo sobre rodas e nada sair do lugar.

 

Volta do Faith no More

Você, torcedor de algum time, já deve ter imaginado num simples exercício de prazer, como seria bom ver aquela equipe que marcou época jogando novamente.

Algo mais ou menos como se o corinthiano pudesse trazer o time de 99 no lugar daquele horroroso que caiu ou o palmeirense, na mesma situação, fosse capaz de resgatar a equipe de 94 (ou ainda mais longe, o timaço da Academia).
Ou ainda, se o torcedor brasileiro conseguisse levar para a Copa de 90 o time de 82 (sem o Lazaroni também, óbvio).
Claro que as barreiras físicas e do tempo impedem que delírios como esse se tornem reais. Ao menos no futebol.
Porém, acredite, na música isso é possível. Mais especificamente, no Rock, foi exatamente isso que ocorreu.
Claro que o leitor vai dizer que não há novidade nenhuma nos dias de hoje em se assistir o retorno de medalhões com suas velhas guitarras e companheiros de palco.
Seja por oportunismo, por necessidade de fazer uma graninha ou mesmo só por prazer, uma enxurrada de grandes nomes andaram se reecontrando com a sua torcida, ou melhor, seu público. E não são poucos para torcer o nariz, fazer bico e dizer que essas reuniões são pura jogada comercial (e o que é não é em nossos tempos modernos?). De qualquer forma, isso mais parece uma evidência de que em todo lugar há sempre uma turma do amendoim para cornetar.
Desfeito no ano de 1998, o Faith no More voltou em 2009 para dar espetáculo. E conseguiu.
Um timaço de músicos que mais de uma década depois de se separar, repetiu aquilo que faziam de melhor: um som moderno, um concerto autêntico e com muito mais disposição do que a grande parte das “novidades” sonoras do My Space.
No último sábado, o capitão Mike Patton e sua trupe (desfalcada do guitarrista original, mas nem por isso menos afinada) detonaram uma apresentação impecável na Chácara do Jockey em São Paulo (Festival Maquinária). Com chuva e tudo, fizeram os fãs esquecerem as intepéries do tempo (e aqui não me refiro ao clima, mas ao passar dos anos).
O Faith no more fez com que os fãs da música pudessem reviver uma belíssima amostra do que melhor se fez no rock nos anos 80 e 90 e, talvez, mostrar para os novatos algo que eles ainda não puderam ver em bandas hypes da internet: carisma, autenticidade, conhecimento musical e, por que não dizer, geográfico. A banda cantou em português, trocou o “ela é carioca” por “ela é paulista” e ainda preteriu o tradicional “fuck” pelos bem mais sonoros palavrões em português: “porra, caralho”.
Sem se colocar no pedestal de quem sempre precisa ser levado a sério, Mike Patton e cia não renegaram nem a veia brega que se mistura às influências de metal, funk e rap nas músicas do grupo.
Formação clássica é isso aí.

Anos desperdiçados

Há mais de dez anos, durante o show do Kiss, o blogueiro ainda adolescente constatou que Interlagos poderia sediar GPs de Fórmula 1 (há quem pense diferente). Entretanto, não possuía condições para receber uma apresentação musical com um público de final de campeonato.

Ontem (último domingo), dez anos mais velho, aprendi outra vez que uma década não é tempo suficiente para que as coisas mudem em meu país.
Junto a mais de sessenta mil pessoas, passei pelos mesmos terríveis problemas de 1999 e ainda com agravantes.
Em São Paulo, os fanáticos pelo Iron Maiden, fãs de Heavy Metal que são quase uma torcida de futebol, porém com a fúria mais direcionada aos acordes pesados, além de pagar o alto preço dos ingressos, pagaram custosas penitências para assistir ao espetáculo de seus ídolos. Extamente igual ou pior como passam os torcedores nos estádios do Brasil (e ainda pretende sediar uma Copa do Mundo…).
Filas para entrar com inúmeras voltas (quilômetros de gente atrás da outra!) e sem qualquer controle: muitos só conseguiram entrar no Autódromo quando a terceira faixa era executada.
Portões de acesso insuficientes. Na maior parte do tempo, houve apenas um disponível.
Na saída, muitos demoraram mais de uma hora para dar com a cara na rua. O trajeto era espremido em corredores completamente incapazes de absorver a massa. Duvido que milhares de pessoas, no momento da travessia, não pensaram estar diante de uma possível tragédia.
Para dar um ar mais épico como pedem as canções da banda, os fiéis tiveram que assistir a apresentação pisando sobre uma lama movediça. Afinal, é difícil supor (e os organizadores provavelmente nunca ouviram a música de Tom Jobim dizer: “em março as chuvas são recorrentes”) que água mais terra igual a lama.
Um cenário digno de trazer a mente de qualquer roqueiro o lendário festival Woodstock, realizado numa fazenda. Só que em Interlagos, apesar do tratamento de estrume dado aos fãs, não havia nenhum idealismo. Apenas mais um casual destrato com o público no Brasil.
Quanto ao show, muito bom.
Foi como sempre. Sejam eles brasileiros ou não. Sejam das chuteiras ou das guitarras. Lamentável é que haja tanto brucutu com poder no Brasil para roubar o brilho dos craques.