Cobertura

Ronaldo-cobertura-final

Tradução livre (ING): Topping goal

Ínterprete do GIF: Ronaldo / Corinthians.

Como se diz “cobertura” em:

Inglês: chip; lob

Francês: Pichenette; Lobbé

Alemão: Lupfen

Espanhol: Cuchara

Italiano: Pallonetto

Enquanto todos pensavam com os músculos, foi com a sutileza do cérebro que o grego Ulisses conseguiu superar a forte defesa de Troia. Em vez de usar a brutalidade para derrubar muralhas, inventou um cavalo de madeira gigante e, como quem não desejasse agredir, presenteou seus inimigos. Recebido sem desconfiança, os soldados saíam de dentro do cavalo e quando os adversários, atônitos não sabiam muito bem o que fazer. Quando perceberam, era tarde demais.

No futebol, o gol por cobertura é como o Cavalo de Troia que discretamente passa pela defesa. Lance totalmente inesperado e fora de alcance. Não dá chance para reação. Quando zagueiros e goleiros se dão conta do toque sutil do atacante, todos já estão batidos.

O gol por cobertura é a estocada fatal da astúcia, do alcance privilegiado da visão. Na Copa de 1970, Pelé fez o único gol por cobertura da história do futebol em que a bola não tocou as redes e acabou saindo pela linha de fundo. O lance entrou para a história como um de seus gols que não aconteceram, mas se perpetuaram como exemplo de genialidade de alguém que, como Ulisses, conseguia ver além no campo de batalha.

Sobre o Dicionário do Futebol Arte.

Futebol e suas biografias (não) autorizadas

A bola dividida em que se transformou a discussão sobre biografias expõe sintomas e também deverá trazer consequências para nossa cultura. Inclusive à futebolística.

Um desses sintomas é que um debate centrado na liberdade de expressão e informação, evidencia que o nível da democracia no país ainda não faz parte da primeira divisão no mundo. Mas pelo menos existe um debate.

O resultado é pior porque a obstrução ao direito de contar a História não parte de políticos perebas, mas de artistas que em suas biografias já somaram pontos por brigar pelo fim da censura. Não é o caso de Roberto Carlos.

É até concebível que no país do futebol, onde o rei do esporte nega um resultado de DNA para não reconhecer uma filha, que outros membros da realeza também queiram perpetuar só a parte que lhes agrada. É possível que o desejo da imortalidade, traga uma vontade doida de perfeição, ainda que por canetada. Como alguém já disse em alguns destes muitos textos sobre as biografias, às vezes figuras públicas se esquecem de que são admirados justamente por serem de carne e osso e, apesar disso, também providos de talentos únicos. E não por serem deuses infalíveis.

Agora, saindo pela lateral nessa discussão com turno e returno, imaginem como seria se alguns jogadores de futebol encampassem a ideia de prevalecer apenas sua própria biografia autorizada. Como seriam recontados ou omitidos os fatos de suas súmulas biográficas? Os goleiros poderiam sublimar seus frangos, os atacantes ignorar seus gols perdidos, os zagueiros jamais teriam falhado no momento decisivo e os técnicos nunca teriam feito aquela substituição que deu errado.

Eis alguns possíveis trechos das biografias autorizadas de alguns dos maiores craques de todos os tempos.

Pelé (Autobiografia em terceira pessoa)

Em 17 de junho de 1970, Pelé marcou seu gol mais bonito. Ao receber um lançamento, o camisa 10 da Seleção deixou a bola passar sem tocá-la, iludindo o goleiro uruguaio Mazurkiewicz, para em seguida fazê-la dormir no fundo do gol. Placar final: Brasil 4×1 Uruguai.

Maradona

Em 22 de junho de 1986, Diego sobe o mais alto que pode de seu um metro e oitenta e cinco de altura, muito mais alto do que o goleiro inglês, e com uma testada firme faz 1 a 0 para a Argentina na Copa do México. Depois, o gênio do futebol também  faria o segundo ao driblar o English team inteiro – inclusive goleiro. A essa altura ninguém mais duvidava de Sua superioridade sobre o brasileiro Pelé.

Roberto Baggio

Era 17 de julho de 1994, Baggio, mesmo com dores que quase o tiraram da partida, corre para  a marca fatal e, com sua reconhecida calma budista, desloca Taffarel para o canto direito e empurra a bola ao lado contrário. Ele diminui a diferença, mas não evita que o título vá para o Brasil porque um jovem e desconhecido Berluschini chutaria para o alto a cobrança decisiva.

Zidane

Naquele 9 de julho de 2006, mesmo não alcançando sua segunda Taça Copa do Mundo, o gênio francês entra para a história do Fair-Play mundial. Mesmo com chances de dar sequência a uma jogada no meio de campo, Zizu interrompeu o jogo para acudir o zagueiro italiano Materazzi que, estendido no gramado, estrebuchava com falta de ar. Zidane fez até respiração boca a boca no adversário que gentilmente agradeceu: “nem sua nobre irmã, por mais prestimosa que seja, faria uma respiração melhor do que essa”.

Platini

Sobre o convite de Blatter, o craque francês e da Juventus de Turim, preferiu nunca se envolver na política e, por isso, não assumiu cargo na UEFA. A decisão impediu que ele se envolvesse com gente da pior espécie da cartolagem mundial.

Ronaldo

Depois de ser o melhor jogador do mundo por três vezes e se machucar e dar a volta por cima em outras três, todas as coincidências com três acabam aqui. O craque foi o grande embaixador da Copa de 2014 no Brasil. Como legado, Ronaldo não só se destacou pela luta na melhoria de infraestrutura do esporte de base, pela adequação do calendário esportivo e até na construção de hospitais que ele sempre considerou mais importante do que arenas. Resumindo, o craque jamais se curvou mesmo diante de grandes empresas e dos poderosos dirigentes do futebol brasileiro.

Romário

No dia 20 de maio de 2007, Romário conseguiria igualar um dos feitos de Pelé ao atingir a marca de 1000 gols. O milésimo tento foi marcado de pênalti, assim como o Rei, contra o Sport. (OH Wait…)

Rima das onze contra os Donos da Bola

I

Futebol, é real, nem sempre é justo.
De goleiro à torcida, cobra seu custo.
Como deus furioso, às vezes, é vil
Do mais craque ao pereba, um a um já puniu.

II
Castiga também quem de preto se veste,
De uma boa intenção à burrice inconteste.
O goleiro, atacante e os homens de apito,
da torcida, ofensas, já ouviram em grito.

III
Mas todo o brado que enche a boca da gente,
a justiça faria àquele que mente.
Bola não toca, da paixão é descrente,
Gritem “Fi-lho da Pu-ta!” ao mau dirigente.

IV
Que há tempos comete pior injustiça,
conduz sempre a esmo essa cultura mestiça.
Podres poderes entre tanta imundice
Correm os anos e persiste a mesmice.

V
A dúvida, a suspeita, nada os constrange
Se são da linhagem de João Havelange.
Em Manaus ou Brasília, há um branco elefante.
Mas é grana do povo: às obras, avante!

VI
Em tantas cartolas, uma alma não salta.
Se não há coliseu, tal outra ideia incauta.
Copa se vende por um sujo vintém,
do Brasil ao Catar, mais dinheiro, amém!

VII
Futebol é negócio, sobra certeza,
patrocínios e cotas postos à mesa.
Dólares da máfia, sultão ou califa
compram de craques até a corte da Fifa.

VIII
Até nossos ídolos, Gorducho e Alteza,
de tantas bobagens, nem causam surpresa.
Mudo poeta que ao poder se apequena,
Se saúde faltar, seu leito é Arena.

IX
Justiça agora! Que se faça a vingança,
aos que roubam medalha e engordam a pança.
O calendário, aqui jaz, outra lambança.
Mobilidade, piada, nunca avança.

X
Ainda há um alento, no último minuto.
Uma jogada esperta, um lance arguto.
Levante a bandeira contra esse cartola
Que simula e finge, que só nos enrola.

XI
Vamos à luta, demonstrar nossa fúria
frente aos vermes que só nos trazem penúria
Se os Diabos se vão, o mal todo esvazia.
Futebol vencerá como em poesia.

A Copa das Confederações não é a Copa do Mundo, mas…

Campeão: a essa altura você já deve estar cansado de saber. Nunca o campeão da Copa das Confederações se repetiu na Copa do Mundo seguinte: O Brasil, por exemplo, papou as edições de 97, 2005 e 2009 e depois perdeu para França em 98, França, outra vez em 2006 e Holanda em 2010.

Peso: O peso da Copa das Confederações é maior. Loucura? Não. A taça da Copa do Mundo pesa 5,5kg enquanto a da Copa dos confederações tem 2kg a mais.Mas a diferença no peso para por aí, claro.

Tamanho: A Copa das Confederações conta com um quarto de equipes da Copa do Mundo. Além disso, o menor time desta edição, o Taiti, possui uma população de 178.133, menor do que Belo Horizonte, onde estão hospedados, que possui uma população de 2,475 milhões.

Os times mudam, mas…
Um ano se passa entre uma competição e outra, portanto os times mudam. Em 97, o Brasil chegou a ter uma dupla de ataque que poderia ter feito história como um dos mais potentes e ativos, se é que me entendem, ataques do Brasil: Romário e Ronaldo. Juntos eles marcaram 8 gols só nos dois jogos finais contra República Tcheca e Austrália (goleada por 6 a 0). No entanto, o Baixinho que até hoje é o maior artilheiro da Copa das Confederações, acabou cortado daquela que seria sua última Copa do Mundo em 98.

Já em 2009, do time que ganhou a final de virada dos EUA por 3 a 2 até a equipe de Dunga que entrou em campo na derrota para a Holanda na Copa do Mundo apenas 3 jogadores foram diferentes. Luisão, André Santos e Ramires começaram o jogo derradeiro da Copa dos Confederações e foram substituídos por Juan, Michel Bastos e Daniel Alves nas quartas do Mundial. O lateral do Barcelona foi escalado no meio campo depois da contusão de Elano no jogo anterior contra Costa do Marfim.

Estrutura
Além das equipes, o evento serve também como teste para a (des)organização brasileira. A seleção italiana já experimentou problemas ao chegar para treinar no Engenhão e descobrir que o estádio estava interditado. O Uruguai enfrentou atraso em voos na conexão em Manaus e o que era para ser uma parada de 40 minutos foi de 3 horas. Espanha e Uruguai tiveram problemas com a chuva para treinar.  O técnico da Celeste reclamou que já é sabido da aguaceira nessa época do ano no Nordeste. A conferir.

12 pensamentos excitantes (ou não) sobre sexo antes do esporte

Para celebrar o Dia dos Namorados, nada melhor do que esporte e sexo. Para alguns, o problema é a ordem das coisas. Separei 12 visões, algumas célebres, sobre a prática do esporte universal antes do esporte nacional.

CONSERVADOR
Telê Santana: “Eu, como fui jogador, acho que o sexo antes do jogo, um dia antes, por exemplo, não faz bem. É um desgaste muito grande do jogador, e esse desgaste vai refletir lá dentro do campo”

ASSÍDUO
Romário: “Sexo antes do jogo sempre me ajudou”.

MELHOR DO QUE… LASANHA?
Ronaldo Fenômeno: “É um tabu sério que existe no futebol de que o sexo atrapalha. Eu acho que masturbação atrapalha muito mais. Cansa muito mais que o próprio sexo”

RECATADO

Kaká: “Acho que tudo tem seu tempo. Antes do jogo a gente está concentrado, e não há tempo para ficarmos pensando nisso. Depois do jogo, quando estivermos tranquilos, tudo bem. Pensa na esposa, faz sexo e outras coisas”


VIRGEM 
Neymar (em 2011): “Se atrapalha ou não, eu não sei, porque ainda não fiz”,

POLÍTICO

Fred: “Antes dos jogos, estamos concentrados com mais 30 homens no hotel. Nunca fiz e nunca vou fazer sexo às vésperas de uma partida”.

ABSTÊMIO
Dunga: “nem todo mundo gosta de sexo, vinho e sorvete. Temos que respeitar”.

PONDERADO
João Saldanha: ““homem, quando arranja mulher nova, quer mostrar serviço e acaba tendo um desgaste maior”.

LIBERAL
Casagrande: “Sexo não faz mal nem antes nem depois do jogo. Só durante.”

ROMÂNTICA

Hortência:  No meu caso, eu acho que ajuda, quando você faz uma coisa por amor – sexo é uma coisa que você faz por amor. O sexo me realiza e quando a mulher se sente realizada, produz muito melhor. 

ESPECIALISTA
Laura Muller (sexóloga): “Depende quem é esse atleta, de como ele se relaciona com a sexualidade. Se o sexo vai gastar muita energia, se a transa for muito longa, pode não ser legal. Agora, se isso vai dar mais pique… Às vezes a pessoa tem uma relação que energiza, traz um novo colorido, mais motivação”.

SABEDORIA POPULAR
Autor Desconhecido: “Sexo antes do jogo só atrapalha se atrasar a partida”