Roberto Bolaño

Roberto BolañoNa carona da Copa do Mundo de 2014, a universidade norte-americana de Rochester criou uma outra modalidade: a Copa do Mundo de Literatura.

O torneio consistia em uma seleção de escritores de ficção de vários países representados por uma obra de sua autoria.

Como no mata-mata no futebol, a cada fase um autor era eliminado enquanto outro seguia à próxima etapa. Votação feita por um juri composto de 26 especialistas em literatura definia os vencedores.

O Brasil também não venceu esta Copa, mas também pode se consolar por ter sido eliminado pelo vencedor da competição. Representante brasileiro, Chico Buarque e seu livro Budapeste acabaram eliminados por Noturno do Chile, do chileno Roberto Bolaño que, mais a frente, se tornaria o grande campeão.

A diferença é que, ao contrário da humilhação sofrida pela seleção brasileira, a obra de Chico Buarque recebeu muitos elogios dos críticos e avaliadores, mas acabou superado pela qualidade de Bolaño, comparado pelos organizadores como um “Pelé-Beckham-Ronaldinho” da literatura mundial.

Aliás, Noturno do Chile há algum tempo já pode ser considerado um clássico da literatura contemporânea, por sua técnica e estilo. Para usar o jargão futebolística, é um livro feito em dois toques, isto é, dois parágrafos. Um bastante longo e descritivo e o outro composto por apenas oito linhas.

O tema da narrativa de Roberto Bolaño não poderia ser mais relevante: a ditadura chilena, dos tempos do brucutu Pinochet.

Quanto à Copa do Mundo de Literatura, os organizadores ficaram tão satisfeitos com o resultado que prometem uma nova competição durante o mundial de futebol feminino, em 2015. Dessa vez, apenas com escritoras.