Julio Iglesias: Figurinha da Espanha

Julio IglesiasJulio Iglesias é o cantor espanhol mais famoso no mundo. Como se fosse um Cervantes do som.

O que nem todos sabem é que seu caminho para a música só foi trilhado por seu envolvimento com o futebol e também por um grave acidente que o afastou das canchas.

Reconhecido por sua voz aveludada, no início dos anos 60 Julio Iglesias ainda era goleiro do time juvenil do Real Madrid e, segundo relatos de alguns dirigentes merengues da época, tinha um futuro promissor na posição.

Até que o destino interferiu de maneira violenta em sua vida e, um dia antes de completar 20 anos, um acidente de carro o mandou para a cama de um hospital sob o risco de nunca mais voltar a andar. O jovem jogador acabou afastado para sempre do futebol. Era o fim do Julio Iglesias goleiro.

Porém, era o começo do Julio Iglesias cantor.

Na mesma cama em que se  encontrava prostrado, se recuperando do acidente, Julio Iglesias ganhou um violão e começou a praticar a arte que o levaria a cantar e encantar uma imensidão de fanáticos, maior até do que a torcida do Real Madrid.

Puskás, além do Prêmio da FIFA

Crédito Imagem:  http://www.itsnicethat.com/articles/zoran-lucic-football-posters
Crédito Imagem: http://www.itsnicethat.com/articles/zoran-lucic-football-posters

Em 13 de janeiro, a FIFA divulgará o vencedor do prêmio Puskás, criado em 2009 para premiar o golaço do ano.

Ao ver a lista dos 10 gols selecionados, fica difícil não apostar no sueco Ibrahimovic, mistura de Cirque du Soleil com futebol.

Mas quantas pessoas, por causa desse troféu, já repetiram o nome Puskás sem saber quem de fato foi ele?

Falando menos do prêmio e mais de Puskás, não é por acaso que um nome vindo de um país coadjuvante do futebol mundial tenha batizado a premiação da FIFA. Todas as referências ao “Major Galopante” – apelido que ganhou porque possuía essa patente do exército de seu país – não exitam em ressaltar o grande craque que ele foi.

É curioso também como pelo menos dois lances da história desse personagem seguem atuais.

O primeiro fato é que Puskás era húngaro e com seu país montou a seleção mais forte do início dos anos 50, campeões olímpicos em 52 e vice mundiais em 54. No entanto, questões políticas que envolviam a influência da URSS em seu país e que não agradavam ao craque, fizeram Puskás deixar sua pátria natal. Só que pela bola que tinha, não seria difícil arrumar outra pátria-mãe-adotiva. Puskas acabou se naturalizando espanhol. Na década de 60, fez no Real Madrid parceria de sucesso com argentino Di Stéfano e , como as regras da época permitiam, também jogou uma Copa do Mundo pela Espanha, o que motivou maledicências sobre o craque em seu país de origem. Tudo isso há mais de 50 anos da polêmica sobre a opção de Diego Costa, com a diferença de que hoje sua escolha se faz muito mais por questões sócio-econômicas do que políticas.

Outro ponto é que Puskás também levantava suspeitas sobre seu físico. Baixinho e gordinho, é bem provável que fosse reprovado em qualquer teste de categorias de base. Para quem viu Maradona e Ronaldo jogar e acha incrível Valter  fazer tantos gols pelo Goiás, a média de Puskás é espantosa: pela seleção da Hungria anotou 85 gols em 84 jogos. Em toda sua carreira, de acordo com o IFFHS, foram 512 gols em 528 partidas.

Inclusive, perpetua-se a lenda de que na ocasião do convite para vestir a camisa merengue, feito diretamente pelo presidente do Real Madrid, senhor Santiago Bernabeu, Puskás teria dito: “O senhor me olhou? Estou gordo!”, ao que o presidente respondeu: “isso não é problema meu, é seu!”. Ferenc Puskás acabou três vezes campeão da Liga dos Campeões pelo Real Madrid (1959, 1960 e 1966) e ficou conhecido com o apelido de Pancho, bem mais carinhoso que o outro de caráter militar.

Para saber um pouco mais da história e ver um pouco de Puskás em ação, esse vídeo da TV Real Madrid é legal (em espanhol).

Cristiano Ronaldo está aí!

Cristiano Ronaldo levará o prêmio de melhor jogador da temporada.

Repito o comentarista Lédio Carmona: é barbada.

A contusão do argentino ajudou, mas não foi  decisiva.

O momento é do português e acho possível que ganhasse mesmo com Messi jogando como vinha nos últimos meses.

Além do mais, arejar o prêmio depois de uma sequência de vitórias de Lionel é saudável.

Logo ao fazer o segundo gol, como se dissesse para os suecos: “eu estou aqui!”, apontando para o gramado com os dois indicadores, vejo como se o português vibrasse além daquele momento,  botando para fora um sentimento que reside ali há algum tempo.

Como se pedisse, em um desabafo com seu toque de vaidade, para todos enxergarem, e se lembrarem, de tudo que ele é capaz de aprontar.

Pode ser que pela onipresença de Messi, seja necessário olhar com mais atenção ao futebol do português.

O segundo gol de Cristiano contra a Suécia também evidencia um resumo de seu repertório extenso.

Explosão, velocidade, controle de bola e frieza na frente do goleiro.

Incrível.

Ver Messi (e o time do Barcelona junto) jogar concentra tanto os olhares  que às vezes perco a noção da quantidade de bola que joga o português. E faz tudo em um time abaixo da intensidade do jogo do Barça.

Há quantas temporadas seguidas marca gols tanto quanto dá olhadas no telão?

Cristiano Ronaldo é narcisista, usa meias altas de gosto duvidoso, mas tem capacidade de finalização comparável a Romário e Ronaldo. É uma mala sem alça, mas cheia de munição. É quase sempre letal.

Messi é gênio e continua o melhor do mundo.

Mas esse ano serve para mostrar que C. Ronaldo está bem acima dos outros de sua época e que, na verdade, somos agraciados em ver dois caras tão bons brotarem quase ao mesmo tempo.

Olhando as listas anteriores dos prêmios da Fifa  da para dizer que se esses dois jogassem desde que a premiação passou a vigorar, seriam indicados e até mesmo vitoriosos em edições passadas.

Torço para que Messi se recupere realmente para a Copa do Mundo, como torci para que Cristiano Ronaldo se classificasse e viesse ao Brasil para registrar a presença de dois dos maiores craques da história do futebol.