Chapéu

Pele_chapeu_alta

Tradução livre (ING): Hat.

Ínterprete do GIF: Pelé / Seleção Brasileira.

Como se diz “Chapéu” em:

Inglês:

Francês: Sombrero

 Alemão:

Espanhol: Sombrero

Italiano: Sombrero

Se a linguagem pode ser analisada como um reflexo cultural de um povo, o chapéu é uma expressão que parece estar intimamente ligada ao estilo do futebol latino.

Em horas e horas de pesquisa não encontrei, por exemplo, nenhum sinônimo nas línguas inglesa ou alemã. O jornalista Paul Doyle, do diário inglês The Guardian, assinala apenas a palavra correspondente “hat” como significado da expressão brasileira, mas não designa nenhuma outra equivalente no seu idioma.

Em espanhol, italiano e francês, o drible em que se joga a bola por cima do adversário foi encontrado com a mesma grafia: sombrero, que remete ao chapéu dos mexicanos e também pode estar relacionado ao formato que a bola desenha no ar quando essa finta é aplicada.

Já no Brasil, chapelar é até verbo e o substantivo tem  sinônimo: lençol ou , às vezes, boné.

Para ilustrar, o registro é uma imagem daquele que é provavelmente o chapéu mais espetacular já produzido. A começar pela grife, assinada pelo Rei Pelé, ainda com 17 anos. Depois, o contexto da obra, uma final de Copa do Mundo. Para fechar, seu resultado: um golaço na vitória de 5×2 do Brasil sobre a Suécia na partida decisiva da Copa de 58.

Sobre o Dicionário do Futebol Arte.

Kimi Raikkonen: Figurinha da Finlândia

Kimi Raikkonen

É apropriado um texto lacônico como é o Homem de Gelo da Fórmula-1, Kimi Raikkonen.

Sua história com o futebol é tão curta quanto suas declarações. Em Interlagos, ao ser perguntado pelo repórter se havia perdido a apresentação de Pelé, o Rei do Futebol, Kimi responde:

– Não. Eu estava cagando.

O repórter agradeceu. A gente também.

Sylvester Stallone – Figurinha dos EUA

Stallone figurinhaÉ praticamente certo que sua intimidade com uma bola de futebol seja muito menor do que com fuzis, facas ou, claro, as luvas de boxe que ele empunhou para representar Rocky Balboa. Como a maioria dos norte-americanos, sua intimidade com o futebol da bola redonda parece muito distante, ainda que a seleção norte-americana já possua um domínio muito mais consistente e ameaçador para os adversários do que, imagino, devam ser os conhecimentos de Rambo sobre futebol.

Mas antes de passar por cima de seus inimigos com saraivadas de bala no cinema, Sylvester Stallone fez um goleiro que defendia um time de resistentes em uma Paris sitiada pelos nazistas no longa metragem Fuga para a Vitória (Escape to victory), de 1981. Além de contracenar com Pelé, Stallone também esteve em companhia de outros craques do futebol como Bobby Moore e Pepe, além de outro astro cinematográfico, Michael Caine. Se não é uma obra-prima do cinema, não decepciona para uma sessão da tarde.

Sylvester Stallone ainda teria um outro envolvimento com o futebol em 2007, quando divulgava a sexta e última parte da sequência de Rocky e já quando muita gente descobrira que escolher um time para torcer é uma boa forma de conquistar a atenção dos ingleses.Ele foi a um jogo do Everton e, muito bem recebido pela torcida local, acabou se tornando um torcedor convertido e célebre do clube.

Futebol e suas biografias (não) autorizadas

A bola dividida em que se transformou a discussão sobre biografias expõe sintomas e também deverá trazer consequências para nossa cultura. Inclusive à futebolística.

Um desses sintomas é que um debate centrado na liberdade de expressão e informação, evidencia que o nível da democracia no país ainda não faz parte da primeira divisão no mundo. Mas pelo menos existe um debate.

O resultado é pior porque a obstrução ao direito de contar a História não parte de políticos perebas, mas de artistas que em suas biografias já somaram pontos por brigar pelo fim da censura. Não é o caso de Roberto Carlos.

É até concebível que no país do futebol, onde o rei do esporte nega um resultado de DNA para não reconhecer uma filha, que outros membros da realeza também queiram perpetuar só a parte que lhes agrada. É possível que o desejo da imortalidade, traga uma vontade doida de perfeição, ainda que por canetada. Como alguém já disse em alguns destes muitos textos sobre as biografias, às vezes figuras públicas se esquecem de que são admirados justamente por serem de carne e osso e, apesar disso, também providos de talentos únicos. E não por serem deuses infalíveis.

Agora, saindo pela lateral nessa discussão com turno e returno, imaginem como seria se alguns jogadores de futebol encampassem a ideia de prevalecer apenas sua própria biografia autorizada. Como seriam recontados ou omitidos os fatos de suas súmulas biográficas? Os goleiros poderiam sublimar seus frangos, os atacantes ignorar seus gols perdidos, os zagueiros jamais teriam falhado no momento decisivo e os técnicos nunca teriam feito aquela substituição que deu errado.

Eis alguns possíveis trechos das biografias autorizadas de alguns dos maiores craques de todos os tempos.

Pelé (Autobiografia em terceira pessoa)

Em 17 de junho de 1970, Pelé marcou seu gol mais bonito. Ao receber um lançamento, o camisa 10 da Seleção deixou a bola passar sem tocá-la, iludindo o goleiro uruguaio Mazurkiewicz, para em seguida fazê-la dormir no fundo do gol. Placar final: Brasil 4×1 Uruguai.

Maradona

Em 22 de junho de 1986, Diego sobe o mais alto que pode de seu um metro e oitenta e cinco de altura, muito mais alto do que o goleiro inglês, e com uma testada firme faz 1 a 0 para a Argentina na Copa do México. Depois, o gênio do futebol também  faria o segundo ao driblar o English team inteiro – inclusive goleiro. A essa altura ninguém mais duvidava de Sua superioridade sobre o brasileiro Pelé.

Roberto Baggio

Era 17 de julho de 1994, Baggio, mesmo com dores que quase o tiraram da partida, corre para  a marca fatal e, com sua reconhecida calma budista, desloca Taffarel para o canto direito e empurra a bola ao lado contrário. Ele diminui a diferença, mas não evita que o título vá para o Brasil porque um jovem e desconhecido Berluschini chutaria para o alto a cobrança decisiva.

Zidane

Naquele 9 de julho de 2006, mesmo não alcançando sua segunda Taça Copa do Mundo, o gênio francês entra para a história do Fair-Play mundial. Mesmo com chances de dar sequência a uma jogada no meio de campo, Zizu interrompeu o jogo para acudir o zagueiro italiano Materazzi que, estendido no gramado, estrebuchava com falta de ar. Zidane fez até respiração boca a boca no adversário que gentilmente agradeceu: “nem sua nobre irmã, por mais prestimosa que seja, faria uma respiração melhor do que essa”.

Platini

Sobre o convite de Blatter, o craque francês e da Juventus de Turim, preferiu nunca se envolver na política e, por isso, não assumiu cargo na UEFA. A decisão impediu que ele se envolvesse com gente da pior espécie da cartolagem mundial.

Ronaldo

Depois de ser o melhor jogador do mundo por três vezes e se machucar e dar a volta por cima em outras três, todas as coincidências com três acabam aqui. O craque foi o grande embaixador da Copa de 2014 no Brasil. Como legado, Ronaldo não só se destacou pela luta na melhoria de infraestrutura do esporte de base, pela adequação do calendário esportivo e até na construção de hospitais que ele sempre considerou mais importante do que arenas. Resumindo, o craque jamais se curvou mesmo diante de grandes empresas e dos poderosos dirigentes do futebol brasileiro.

Romário

No dia 20 de maio de 2007, Romário conseguiria igualar um dos feitos de Pelé ao atingir a marca de 1000 gols. O milésimo tento foi marcado de pênalti, assim como o Rei, contra o Sport. (OH Wait…)

Faces e Frases de Pelé: poeta, profeta, pateta

Na foto Pelé ou Édson
Na foto Pelé ou Édson

Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Bruce Wayne e Batman. Darth Vader e Anakin. Os casos de alter ego e dupla personalidade são inúmeros nas artes e na cultura popular. O poeta Fernando Pessoa foi capaz de assinar por centenas de pseudônimos. Mas poucos conseguiram, na vida real, escrever tão bem um confronto de personalidades quanto Pelé, o Édson.

(A multiplicidade de personas talvez tenha sido a inspiração do criador deste excelente Tumblr sobre o Rei do futebol.)

O atleta do século (passado) foi, até hoje, o maior gênio dentro de campo. Fora dele, não conseguiu manter a regularidade. Sua habilidade com a bola não se fez igual com palavras. Se Pelé antes era exímio ao se desvencilhar de marcadores, depois foi especialista em se engalfinhar com poderosos.

Difícil dizer se até o fim de sua carreira aqui na Terra Édson conseguirá igualar em pérolas os mais de mil gols que anotou como jogador – se já não o fez. De qualquer forma, é possível ler abaixo algumas de suas composições até que novas venham à tona. Só não sabemos ao certo como definir o autor ou quando elas foram ditas por Pelé ou por Édson.

DUPLA PERSONALIDADE

“Pelé jogador acabou, e sei que será muito difícil igualá-lo com o Édson. Esse é o meu grande desafio de hoje em diante”.

(Pelé, em outubro de 1977, quando encerrou a carreira atuando pelo Cosmos, reconhecendo que para ele seria difícil ser um bom homem quando se é o melhor jogador do mundo).

RICARDO TEIXEIRA

1)  “Vou lutar contra a corrupção neste futebol que tem jogadores e clubes miseráveis, enquanto há gente milionária da Confederação”.

(Pelé ou Édson, em 1993, prometendo artilharia pesada contra a CBF que já era feudo de Ricardo Teixeira).

2) “Esta história [da candidatura] está acontecendo desde o ano passado ou retrasado. João Havelange foi um brasileiro [na presidência da Fifa] e foi importante para o país. Se o Ricardo Teixeira for candidato mesmo, claro que vou apoiar, se precisar”.

(Pelé ou Édson, em 2010, defendendo a candidatura de Ricardo Teixeira à FIFA anos depois de desistir oficialmente da luta contra a corrupção).

3) “Só vou à sua casa se você me convidar, se não me convidar não posso ir entrando. Ele é o presidente da confederação e ele decide quem quer convidar ou não. Se ele me convidar para participar das ações, vou com o maior prazer, se não me convidar, não vou. É bastante simples”.

(Pelé ou Édson, em 2011, sobre sua participação nas ações  da Copa do Mundo 2014, sinalizando ao dono da casa, Ricardo Teixeira, que é uma visita bem educada).

POLÍTICA

1)  “Neste momento afirmo que devo tudo ao povo brasileiro. E faço um apelo para que nunca se esqueçam das crianças pobres, dos necessitados e das casas de caridade”.

(Pelé ou Édson, agradecendo ao povo brasileiro que vivia em plena ditadura militar. As crianças pobres que tiveram sorte cresceriam e ainda ouviriam muitas frases feitas como essa.)

2) “Muita gente não sabe, mas não joguei a Copa de 1974 por desgosto em relação ao regime político do país. Era a época da ditadura.”

(Pelé ou Édson, em novembro de 1988, jogando para a torcida).

CORRUPÇÃO

1) “Para recuperar o seu melhor futebol, o Brasil deve acabar com a corrupção”

(Pelé ou Édson, em julho de 1988).

2) “A Copa das Confederações serve muito para a gente ter uma base de como vai ser a nossa equipe. Vamos esquecer toda essa confusão que está acontecendo no Brasil e vamos pensar que a seleção brasileira é o nosso país, é o nosso sangue. Não vamos vaiar a seleção. Vamos apoiar até o final”.

(Pelé ou Édson , em junho de 2013, dizendo que para recuperar o melhor futebol o Brasil deve se calar contra a corrupção).

PEGADOR

“A Jackie Kennedy me cumprimentou, e na mesma hora senti aqueles olhares em volta, como se o pessoal estivesse pensando: ‘Pô, o crioulo está com tudo’, e eu lá, pensando, ‘Ela nem é bonita, nem dá tesão”.

(Pelé ou Édson, em 1985).

COMENTARISTA

“Não tenho a menor dúvida de que a Colômbia é hoje a melhor equipe do mundo.”

(Pelé ou Édson, em junho de 1994, antes da Copa dos EUA. A Colômbia foi eliminada na primeira fase).

MARADONA

“Eu disse, então, que Zico é muito mais importante para uma equipe do que o Maradona. Basta ver os gols que ele faz, decidindo. Já o Maradona não tem tanta importância”.

( Pelé ou Édson, em maio de 1983, três anos antes de o argentino ganhar a Copa do Mundo liderando o time. Zico, vindo de contusão, perderia um pênalti nas quartas de final contra a França e o Brasil seria eliminado).

SEXO

1) “Tinha no máximo 14 anos. Mas, sejamos justos, não era muito o meu negócio. Foi com um homossexual a quem o time todo aproveitava”.

(Pelé ou Édson, em 1981,  sobre como foi sua primeira vez, provando que Ronaldo não é único fenômeno nessa área).

2) “Naquela época, a gente nem chamava de ‘bicha’, era ‘veado’ mesmo. Mas nunca falei que tinha transado com essa ‘bichinha’, era o resto do time (do Bauru Atlético Clube, primeiro time de Pelé) que fazia isso. Publicaram errado… De qualquer forma, não tenho problemas com isso e eu diria se tivesse feito. Até porque criança faz um monte de besteiras”.

(Pelé ou Édson em 2011, ao comentar entrevista que Pelé ou Édson deu sobre a primeira vez de Pelé ou Édson).

13) “Nunca usei Viagra, nunca precisei, só fiz promoção. Na propaganda eu pedi que quem precisasse fosse procurar um médico, mas não é o meu caso”.

(Pelé ou Édson, em 2011, mostrando que nunca usou viagra, só óleo de peroba).

Rima das onze contra os Donos da Bola

I

Futebol, é real, nem sempre é justo.
De goleiro à torcida, cobra seu custo.
Como deus furioso, às vezes, é vil
Do mais craque ao pereba, um a um já puniu.

II
Castiga também quem de preto se veste,
De uma boa intenção à burrice inconteste.
O goleiro, atacante e os homens de apito,
da torcida, ofensas, já ouviram em grito.

III
Mas todo o brado que enche a boca da gente,
a justiça faria àquele que mente.
Bola não toca, da paixão é descrente,
Gritem “Fi-lho da Pu-ta!” ao mau dirigente.

IV
Que há tempos comete pior injustiça,
conduz sempre a esmo essa cultura mestiça.
Podres poderes entre tanta imundice
Correm os anos e persiste a mesmice.

V
A dúvida, a suspeita, nada os constrange
Se são da linhagem de João Havelange.
Em Manaus ou Brasília, há um branco elefante.
Mas é grana do povo: às obras, avante!

VI
Em tantas cartolas, uma alma não salta.
Se não há coliseu, tal outra ideia incauta.
Copa se vende por um sujo vintém,
do Brasil ao Catar, mais dinheiro, amém!

VII
Futebol é negócio, sobra certeza,
patrocínios e cotas postos à mesa.
Dólares da máfia, sultão ou califa
compram de craques até a corte da Fifa.

VIII
Até nossos ídolos, Gorducho e Alteza,
de tantas bobagens, nem causam surpresa.
Mudo poeta que ao poder se apequena,
Se saúde faltar, seu leito é Arena.

IX
Justiça agora! Que se faça a vingança,
aos que roubam medalha e engordam a pança.
O calendário, aqui jaz, outra lambança.
Mobilidade, piada, nunca avança.

X
Ainda há um alento, no último minuto.
Uma jogada esperta, um lance arguto.
Levante a bandeira contra esse cartola
Que simula e finge, que só nos enrola.

XI
Vamos à luta, demonstrar nossa fúria
frente aos vermes que só nos trazem penúria
Se os Diabos se vão, o mal todo esvazia.
Futebol vencerá como em poesia.

Um time de filmes gratuitos no YouTube

Hoje, 19 de junho, é dia do Cinema Nacional.

Por isso, indico um canal no YouTube que conta com mais de 100 filmes brasileiros completos. A partir dele,  fiz uma escalação de 11 títulos que assisti e indico. Como não vi todos, é possível que existam coisas melhores que posso ter ignorado. Além disso, alguns dos nomes listados não estão disponíveis no canal. Então, fiz a seleção apenas dos que podem ser vistos até o momento. Vamos a eles:

1. Terra em Transe: clássico do Cinema Novo de Glauber Rocha. Obrigatório para entender o movimento cultural e a política brasileira até os dias de hoje. Imprescindível até para quem não gosta dos filmes com essa pegada engajada poder criticar.

2. Linha de Passe: filme de Walter Salles que tem o futebol como pano de fundo para histórias de uma família que se encadeiam e apresentam problemas e sonhos típicos da cidade grande.

3. O Pagador de Promessas: primeiro filme brasileiro que concorreu ao Oscar.

4. Baixio das Bestas filme de estética forte sobre a exploração sexual da mulher nos rincões do Brasil.

5. Além do Cidadão Kane obrigatório nas faculdades de comunicação, mostra a relação do poderoso dono da Rede Globo com os meandros da Ditadura Militar.

6. O que é isso companheiro clássico recente que também envolve a atmosfera do Regime Militar.

7. Notícias de uma Guerra Particular excelente documentário sobre a violência no Rio de Janeiro. Precede Tropa de Elite e Cidade de Deus.

8. Pelé Eterno dá uma boa ideia do que o Rei do Futebol foi capaz de fazer dentro de campo. Corinthians ganha um capítulo exclusivo para mostrar à crueldade de Pelé com seu maior rival.

9. Cheiro do Ralo filme com humor absurdo com um dos melhores atores da nova geração do cinema nacional: Selton Mello

10. Cidade Baixa filme sobre um triângulo amoroso em que os catetos são Lázaro Ramos e Wagner Moura. A hipotenusa é Alice Braga.

11. O Homem que Copiava Grande história do gaúcho Jorge Furtado. Entretenimento de alta qualidade.

12. Os Trapalhões e o Rei do Futebol Ok, este não precisa entrar no primeiro time. Mas também não dá para ignorar. Um clássico.