Mulheres olímpicas que precisamos conhecer

As Olimpíadas do Rio 2016 já são os Jogos com o maior percentual de participação das mulheres – 45%. Embora ainda tenha margem para crescer, esse dado já seria suficiente para servir como parâmetro ou – vá lá – inspiração para muitas instituições e corporações daqui e de várias partes do mundo. O Congresso brasileiro, por exemplo, não chega a 10% de participação feminina. Uma vergonha.

Mas se escavarmos um pouco o que há debaixo dos números é possível encontrar traços bem mais humanos e muito mais representativos do desempenho feminino nessas Olimpíadas.

Separei algumas personagens de diferentes modalidades e países. Mesmo com o livro olímpico ainda em aberto, elas já escreveram histórias que, além de emoção e drama, são úteis para quebrar paradigmas sobre coisas que já ouvimos muito ou ainda ouviremos em nossas vidas, principalmente em se tratando delas, as mulheres.

Essa roupa não parece adequada: mulheres são diariamente julgadas pelo modo como se vestem e não deve ter sido diferente com as egípcias Doaa Elgobashy e Nada Meawad. Elas formam a primeira dupla de vôlei de praia do Egito e proporcionaram uma das imagens mais belas dos Jogos até o momento.

Foto: Lucy Nicholson/ Reuters

Cuidado para não se expor: no caso da norte-americana Ibtihaj
Muhammad
, nada pode colocá-la mais em evidência do que cobrir seus cabelos. Esgrimista, ela foi a primeira a competir pelos EUA usando hijab. Considerando que o sentimento antimuçulmano é crescente em um país em que a intolerância pauta a campanha de um dos principais candidatos à presidência daquele país, seu feito merece mais do que medalha de ouro.

Joga como homem: Poucos esportes são tão machistas quanto o futebol. Então, em um time que já tem Marta, eleita melhor jogadora de futebol do mundo cinco vezes, é difícil se destacar, certo? Errado. Cristiane marcou um golaço de letra contra a Suécia e se tornou a maior goleadora das Olimpíadas. Nenhuma mulher fez mais gols que ela em Jogos Olímpicos. E nenhum homem também.

Você não tem idade pra isso: A ginasta uzbeque Oksana Chusovitina está em sua sétima Olimpíada. Oksana já ganhou medalha de prata, de ouro, já foi mãe e quando ela disputou sua primeira Olimpíada, em Barcelona, apenas duas integrantes  da equipe feminina de ginástica do Brasil haviam nascido (Jade Barbosa e Daniele Hipólito). Aos 41 anos e em um esporte dominado por garotas, ela não só chegou aos Jogos como recordista de longevidade como compete em bom nível no salto.

Ponha-se no seu lugar: Para a ONU Kosovo não é um país reconhecido ainda que há dois anos seja reconhecido pelo COI. Para a judoca Majlinda Kelmendi, o fato de ter nascido na ex-província Sérvia, devastada pela guerra e por perseguições étnicas não foi empecilho. O lugar dela é mesmo o alto do pódio. Além de ser bicampeã mundial, no Rio ela também conquistou a primeira medalha de ouro em Olimpíada para seu país.