Magic Johnson: O Anúncio

 

Crédito foto: Francis Specker/Bloomberg News
Crédito foto: Francis Specker/Bloomberg News

Meu primeiro contato com o basquete profissional norte-americano foi no fim dos anos 80, comecinho dos 90, quando era possível, muito mais no videogame do que na TV, ver as estrelas do basquete norte-americano em quadra.

Sempre tive uma simpatia gratuita por Magic Johnson e os Los Angeles Lakers, ainda que o basquete tenha sido meu segundo esporte muito mais por influência da turma do Oscar  e, principalmente, por causa da rainha Hortência que assistia defender as cores de Sorocaba em jogos eletrizantes contra outra Magic, a Paula que atuava por Piracicaba.

Mais ou menos como acontecia com a Seleção de 82, a dimensão que Earvin “Magic” Johnson representava para o basquete me era clara, mas só fui entender melhor como funcionava seu jogo, suas assistências, sua liderança, enfim, como jogava em quadra mais tarde, justamente quando ouviu-se falar mais dele no Brasil por seu anúncio público de que contraíra o vírus do HIV.

Até então, a principal referência nacional que assumira publicamente a condição de infectado pela doença fora Cazuza. Infelizmente, tanto no seu caso quanto em quase todas as pessoas de que se tinha notícia naquela época eram relatos de um fim triste, depois de uma caminhada dolorida.

Magic Johnson conseguiu percorrer outra estrada. O documentário produzido pela ESPN dos EUA no ano passado e reprisado pela ESPN Brasil nos primeiro dias de janeiro (há também uma versão legendada no YouTube) mostra exatamente essa vitoriosa trajetória, mas não sem sofrimento, do jogador. O texto é narrado pelo próprio atleta e ilustrado pelos depoimentos de quem lhe era mais próximo naqueles dias que abalaram o basquete e o mundo.

Dramas profissionais e familiares, preconceito e ciência são temas fundamentais que envolvem a doença e estão bem exemplificados pelo diretor Nelson George – que já havia feito filmes sobre o tema na HBO – para que se possa entender a evolução no tratamento e no entendimento das pessoas em relação à AIDS.

Sem falar nos toques de magia que só o esporte é capaz de acrescentar às histórias de superação.

Um exemplo ocorre durante o Jogo das Estrelas da NBA. A posição de especialistas era contundente em afirmar que o risco de contaminação em quadra eram mínimos e, elas fizeram Magic Johnson desistir da aposentadoria em 1992. Mas muitos jogadores não se conveciam – duvidavam? – de que o simples contato físico não trazia perigo. Coisa que não se deu com o maior deles.

Durante o jogo em que defendiam lados opostos, Leste contra Oeste, Michael Jordan fez questão de marcar Magic bem de perto. Cutucou, chamou para o duelo, segurou e até mandou um apertão na bunda de Magic como se aquilo fosse mais do que uma brincadeira entre amigos, mas uma forma de convencer a todos de que não havia motivos para se preocupar.

*Acessei a programação da ESPN Brasil e não encontrei um dia de reprise, ao menos na próxima semana. Mas vale a pena solicitá-la junto à emissora. Poderiam, no mínimo, colocar em todos os horários dedicados ao chatíssimo pôquer.