Lollapalooza, Copa do Mundo e os eventos à brasileira

LollapaloozaNo último sábado fui ao Lollapalooza.

Confesso que não havia comprado ingresso por causa do preço e só compareci porque, na última hora, acabei presenteado com um convite.

A chegada foi tranquila de transporte público. Segui a orientação dos organizadores e a experiência de quem já havia ido a dois shows de rock em Interlagos.

Definitivamente, o autódromo não é uma boa escolha para eventos dessa natureza ( aliás, já ouvi mais de uma vez que nem para corridas ele é o melhor exemplo).

Porém, a tranquilidade acabou rápido. Ao entrar, minha grande dúvida era como funcionaria (ou não) a estrutura megalomaníaca com 4 palcos, os mais distantes separados por 2,5 quilômetros de distância.

Além dos palcos, haviam banheiros, quiosques para comprar fichas, barracas de comes e bebes, grandes espaços para os patrocinadores e muita, muita gente.

Em pouco mais de uma hora zanzando lá dentro, não tive sucesso em praticamente nada do que tentei fazer. A fila das fichas era enorme e demorada e as barracas de comida estavam superlotadas. Os únicos shows que rolavam estavam longe.

Assim que uma apresentação acabava, uma quantidade enorme de pessoas tentava se locomover para comer, beber e usar os banheiros, mas a geografia do autódromo, cheia de afunilamentos, criava enormes gargalos que formavam enormes congestionamentos de pessoas.

Grandes concentrações de gente, muito mais do que a infra suportava, e o evento se tornou uma representação perfeita da cidade de São Paulo: um fracasso em mobilidade.

Quem não conseguia comprar ficha, tentava pagar os ambulantes “por fora”. Por sua vez, os vendedores que viram uma oportunidade de levar um a mais cobravam em dinheiro, alguns se negavam a vender com ficha e quem já havia comprado as fichas começava a ter dificuldades em consumir uma pipoca, como foi o meu caso.

Não houve uma pessoa que conversei depois do evento que não reclamasse da dificuldade de acesso aos serviços do festival.

A intenção de se fazer um grande evento de rock é louvável e espero que aconteçam outros. No entanto, se pudesse dar apenas um conselho aos organizadores, diria: menos.

Menos palcos, menos preço nos ingressos, menos de nove reais em uma cerveja.

A tentativa de se fazer um evento gigantesco, de proporções muito maiores que aguentava o local e a organização provocou uma overdose na estrutura.

Penso se a vontade de lucrar não tirou a vontade de se satisfazer os fãs de música e, talvez, valesse uma reflexão com um pouquinho da filosofia de Woodstock: menos dinheiro, menos ostentação e mais música, por favor.

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Ao voltar do show, demorei vários minutos para entrar na estação de trem e a Copa do Mundo me veio a cabeça, junto com a frase “a Copa das Copas” que retumbava ao fundo.

O Mundial padrão FIFA poderia ser feito com menos sedes e com menos estádios novos, construídos de última hora.

Poderíamos fazer uma Copa do Mundo no Brasil da maneira que o país é capaz de suportar, mas optou-se por algo grandioso, com porte e garbo  do tamanho da ambição de se ganhar dinheiro dos organizadores.

O atraso dana conclusão nos estádios e a menos que mínima execução das obras de infraestrutura comprovam que essa mania de grandeza já atrapalhou.

Como no Lollapalooza, na Copa do Mundo será preciso torcer para que a capacidade de improviso acima da média do brasileiro e a tolerância do povo com os péssimos serviços oferecidos sejam capazes de dar conta para que tudo aconteça sem grandes enroscos ou até mesmo em tragédia.