Filme da Fifa é campeão entre os fracassos

A capacidade para levantar grana em propinas e subornos nada tem a ver com o talento para arrecadar dinheiro nas bilheterias de cinema.

Apesar de tentar. chegando até a juntar um time de atores respeitável (Gerard Depadieu, Tim Roth e Sam Neill) a Fifa não conseguiu convencer nem público, nem crítica com seu filme auto-elogioso e fantasioso de sua própria história e de seus mandatários.

O filme foi um fracasso digno de 7×1.  Custou US$17 milhões inteiramente bancados pela entidade, mas não conseguiu amealhar meros mil dólares (US$ 918) nas salas. Um recorde.

Tão estrondoso quanto o fracasso do filme foi o arrependimento do ator Tim Roth e do cineasta Frédéric Auburtin. O primeiro se recusa a falar sobre “Paixões Unidas” (sim, esse é o nome do filme da Fifa) em quando se pronunciou chegou a dizer que “seu pai se reviraria no caixão” por esse trabalho. Já Auburtin se entristece por ser reconhecido como alguém que criou  “propaganda para pessoas corruptas”.

Não sabemos se Depardieu, que fugiu da França para a Rússia como estratégia para escapar das cobranças de impostos às grandes fortunas, se incomodou de representar Jules Rimet ao lado de Havelange e Blatter.

Blatter, aliás, parece foi um dos poucos que aplaudiu a obra.

Daqui da arquibancada, eu que nem vi e nem verei o filme, só tenho a comemorar tamanho fiasco.

Tim Maia – O Filme

Babu-Santana-como-Tim-Maia-para-o-filme-de-Mauro-Lima-size-598Parece que Globo Filmes esgotou todas as possibilidades das comédias familiares sem graça e a bola da vez são as cinebiografias, o que não é necessariamente ruim.

O filme de Tim Maia cumpre perfeitamente seu papel de entreter, principalmente pela figura humana que foi o artista, pela interpretação dos atores que o representam e, claro, pela trilha sonora absolutamente contagiante.

Para quem anda meio de bode com Roberto Carlos como eu, o filme tira um pouco o Rei do pedestal da perfeição e coloca um lado meio pernóstico de sua personalidade (aguardando se vai rolar um processo…). 

No mais, o filme não foge dos exageros e das maluquices – como a viagem racional – de Tim e, talvez, até se concentre demais nisso em comparação a sua arte, o que dá um tom por vezes caricato demais à personalidade do cantor.

Também acho ruim, como disse um crítico da Folha, que filmes brasileiros ainda precisem sempre usar o artifício da narração em off espertinha como muleta pra contextualizar a história.

Mas nada disso atrapalha muito a diversão

Ronaldinho vira animação na Índia

No fim do ano passado, foi anunciada a participação de Ronaldinho Gaúcho em uma animação produzida por Bollywood, a meca cinematográfica da Índia. Hoje, o trailer foi divulgado.

Comparado à Space Jam, que unia o Michael Jordan aos personagens Looney Tunes, com Pernalonga e companhia, a animação indiana se chamará R10-The Movie e o craque será responsável por proteger o planeta de alienígenas. No entanto, ao contrário do maior jogador de todos os tempos do basquete, que atuava em carne e osso junto aos desenhos, aqui Ronaldinho, aparentemente, só aparecerá em sua forma animada.

Abaixo, o vídeo promocional.

Dois Escobares: ópio do povo está além do futebol

O filme não é novo.

Dois Escobares (Two Escobars), documentário dirigido pelos irmãos Jeff e Michael Zimbalist, chegou a ser exibido na 34ª Mostra de cinema em 2010 embora, atualmente, esteja sendo mostrado também na TV aberta pela ESPN, dentro de uma série de documentários esportivos.

Mas a sustentação da narrativa usando o tripé futebol, política e sociedade é just in time quando tanto se fala em Copa do Mundo no Brasil.

O filme mostra com primor como futebol e política se misturam ao longo da História como afluentes de um grande rio e como seus desdobramentos desembocam na sociedade. No caso do filme, uma sociedade tomada pelo narcotráfico.

Não que o uso político do futebol seja novidade. Basta dizer que a Seleção de 70 não é só um clássico pela bola que jogou, mas também pelo exemplo, muitas vezes já discutido, da exploração política que o Regime Militar fez daquela imagem de sucesso. Mas como já dito, em tempos que se discute Copa do Mundo por aqui não é necessário lembrar dos encontros e desencontros entre política e futebol.

Porque no caso colombiano, a seleção da país era passada de pé em pé por dois lados de uma mesma guerra: o governo tentando vender uma imagem de prosperidade e de controle da situação frente ao narcotráfico que, para usar do linguajar futebolístico, ocupava os espaços deixados pelo Estado, ganhando legitimidade e popularidade junto ao povo colombiano e, pior, quando da ausência desse Estado, dividindo o poder da força bruta e, muitas vezes, até das leis.

Nesse cenário, o roteiro tem o mérito de conectar todas esses componentes unindo duas pontas que, aparentemente, possuem apenas um sobrenome em comum: Escobar.

Um deles é o famigerado traficante Pablo Escobar que iniciou a construção de seu império nos anos 70, comandando o Cartel de Medelin que no seu auge, chegou a dominar 80% do mercado ilegal da região. Assim como o futebol colombiano em sua plenitude chegou a engasgar campeões como a Argentina, derrotada em casa por 5 a 0, Pablo Escobar aquela altura já se tornava quase um mito para uma parcela da população e seu domínio territorial do comércio de drogas certamente incomodava muitos figurões, a ponto dos EUA entrarem no jogo.

O outro Escobar – que não possui grau de parentesco com Pablo – é o zagueiro e capitão da seleção colombiana na Copa do Mundo de 1994. Um time famoso pelas figuras excêntricas como o meia Valderrama e o goleiro Higuita, mas também reconhecido por ser a equipe que jogava o melhor futebol antes do Mundial dos Estados Unidos. Fato que fez até Pelé afirmar, em um de seus palpites mais trágicos, que a Colômbia era uma das favoritas ao título naquele Mundial.

Só que  a tragédia não se deteve ao campo de jogo. Pior do que a desclassificação prematura, ainda na primeira fase, a Colômbia viu o zagueiro Andres Escobar, autor de um gol contra que acabou selando a eliminação da equipe contra os EUA, ser assassinado duas semanas depois de voltar para o seu país. Na ocasião, um território praticamente sitiado pela disputa entre as Forças Armadas, Agentes dos EUA e gangues.

Mesmo com tantos ingredientes misturados, a história só desenrola fácil porque o documentário é rico em depoimentos e imagens de jogadores, técnicos, familiares do zagueiro assassinado, políticos e até de capangas de Pablo Escobar que mostram como a instabilidade política se estendeu ao dia a dia dos jogadores e acabou se tornando o principal adversário daquela que foi a melhor equipe da história do país.