Respeitar as vítimas e o público é a melhor forma de se comunicar

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Em uma tragédia de proporções gigantescas como a queda do avião que levava a equipe da Chapecoense, delimitar onde se presta uma homenagem e começa a exploração da tragédia muitas vezes confunde as marcas e os meios de comunicação.

O fio da navalha no jornalismo passa entre a necessidade de informar e a busca por cliques ou pontos extras de audiência.

As escolhas disponíveis trarão resultados bem diferentes para quem decidir se comunicar sobre um tema tão delicado quanto a queda trágica de um avião que chocou o mundo inteiro. Essas escolhas dependem de sensibilidade, coisa que a pressa para correr contra o tempo ou a vontade de impactar mais que o concorrente muitas vezes ignora (nos piores casos há interesses ainda menos nobres norteando as ações).

Sobre os casos ruins, não acredito que valem menção. Muito já se falou deles e a rapidez com que foram criticados e se espalharam pelas redes é auto explicativa sobre o danos que uma escolha ruim num momento como esse pode trazer.

chapecoense

O Esporte Interativo tomou uma decisão se não inédita, muito rara no cobertura de um evento como esse: a equipe editorial resolveu não entrevistar parentes das vítimas como forma de preservá-los em um momento tão difícil. Ao constatarem que nenhum familiar poderia acrescentar mais informações do que aquelas disponíveis pelas autoridades ou pelos órgãos de imprensa, o canal optou por não explorar a emoção dessas pessoas. Muitos estranharam a decisão, mas a emissora avaliou que a repercussão entre sua audiência foi positiva.

Outra emissora de TV esportiva, a Fox Sports, detentora dos direitos de transmissão da final da Copa Sul-Americana e que também sofreu com a perda de seus profissionais que viajavam no mesmo avião, fez uma sensível homenagem quando exibiu durante os noventa minutos que seriam dedicados ao primeiro jogo da decisão do campeonato uma tela preta, expressão de luto às vítimas da tragédia.

Impossível não mencionar aquela que foi, talvez, a mais incrível e comovente mobilização (além, é claro, daquela realizada pela própria torcida da Chape): a reunião dos torcedores colombianos do Atlético Nacional, adversário da Chapecoense, no estádio Atanasio Girardot, no horário em que aconteceria o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana. Sem sombra de dúvidas, a atitude mexeu com tanta gente que, além de se tornar mais conhecido, o Atlético Nacional ganhou novos admiradores no Brasil e no mundo inteiro. O grande apelo da marca do clube foi o imenso coração de sua torcida.

Em comum, todas essas manifestações tiveram o cuidado e a precaução em respeitar a dor do próximo e a gravidade da situação, independentemente de qualquer outro valor.