Há quem diga que 2016 acaba. Prefiro não arriscar.

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2016

Se há uma lição que aprendi é que fazer previsões este ano foi um negócio muito arriscado.

E para não deixar dúvidas, fiz uma lista um tanto imprevisível do que aconteceu em 2016.

Coisas que até Nostradamus duvida.

A previsão mais errada aconteceu nos EUA, terra da NASA. Um país onde se desenvolvem tecnologias avançadíssimas para prevenir o planeta de meteoros apocalípticos, mas que não conseguiu nos proteger da vitória de Donald Trump.

Pior, eles sequer nos avisaram de que isso aconteceria. Com as louváveis exceções do Los Angeles Times e de alguns profetas como Michael Moore, todas as pesquisas que monitoraram a opinião dos eleitores americanos deram a vitória de Hillary Clinton como certa. Decepção que acompanhou a tragédia.

Aliás, uma das causas do triunfo do republicano foi atribuída ao gigantesco compartilhamento de notícias falsas pelas redes sociais usadas como armas de convencimento que ajudaram a moldar a opinião pública em favor de Trump.

Tanto se espalharam os boatos pela Internet que Oxford elegeu a pós-verdade (post-truth) como a palavra do ano. O termo significa aquele momento em que os fatos valem muito menos do que o que aquilo que as pessoas acreditam. Nada mais 2016 do que isso. Agora, cá entre nós, quem também quebrou a cara foram aqueles muitos que sempre acharam que as redes sociais estavam aí só pra gente ficar mais bem informado.

Mas os americanos não estão sozinhos no mundo, ainda que muitos deles não acreditem nisso. No Reino Unido, ninguém vai esquecer de 2016, quando em uma decisão inédita, a população decidiu deixar a União Européia contrariando as expectativas de vários analistas da política internacional.

Junto aos americanos e britânicos, grande parte da imprensa internacional também desandou quando previu que as Olimpíadas no Brasil sofreriam com uma terrível interferência fora das arenas: o vírus Zika que, de fato, foi um enorme problema no Brasil e também em outras partes do mundo, mas que durante os Jogos Olímpicos por aqui contrariou todas as previsões alarmistas. Ao menos, nesse caso, uma previsão que não se concretizou para o nosso próprio bem.

Ainda sobre Olimpíadas: a previsão do Comitê Olímpico Brasileiro também não foi a mais exata. A estimativa era de que a equipe brasileira terminasse em décimo no Quadro de Medalhas. No fim, ficamos em décimo terceiro. Entretanto, essa foi uma previsão bem menos errada do que a de muitos brasileiros que antes dos Jogos apostavam em um fracasso retumbante do país sede que, no caso, éramos nós mesmos. Porém, o que se viu logo na abertura foi exatamente o oposto. O mundo aplaudiu a criatividade e a alegria dos brasileiros que fizeram uma festa com 85% menos gastos do que Londres quatro anos antes.

(Nem vou comentar o tropeção daqueles que previram mais um papelão do futebol masculino depois dos dois péssimos dois jogos iniciais da primeira fase. Ops, já comentei)

No Brasil, muitos entendidos também escorregaram na política em um ano em que até quem nunca gostou do assunto tinha uma certeza pra compartilhar. Economistas, consultorias, pais de santo e milhões de pessoas que foram às ruas pelo Impeachment previram que com a saída de Dilma Roussef as coisas se acalmariam e o sol votaria a brilhar (e, quem sabe, até a corrupção desapareceria). Houve quem previu o dólar estaria abaixo dos três reais até o fim do ano.

Nenhuma coisa, nem outra. Acertaram uns poucos que falaram em uma desestabilização ainda maior das instituições brasileiras frente a uma tempestade política sem fim e a economia ainda passando por fortes turbulências.

A popularidade do novo presidente Michel Temer caiu tanto quanto as previsões mais otimistas pós-impeachment.

Outras previsões furadas que também merecem registro:

“Esse deve ser o último ano do Big Brother, Philip Roth vai ganhar o Nobel de Literatura, Lula preso amanhã, não adianta só trocar o técnico da seleção, Portugal não tem chances de ganhar a Eurocopa, o Inter não cai, cheiro de hepta, esse ano o Palmeiras não ganha o Brasileirão”.

Profetas, clarividentes, futurólogos, pitonisas e aspirantes a oráculos do porvir, a verdade é que 2016 rachou qualquer bola de cristal e é melhor não dar nada como certo até que o relógio dê meia-noite no dia 31.

Alguém arrisca uma previsão para 2017?