Gabriel García Marquez

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GaboHá três times de escritores latinos.

Um deles reúne aqueles que passaram sua vida indiferentes ao futebol. Assim era o argentino Julio Cortázar, que preferia acompanhar combates de boxe.

Outro time é formado por aqueles que desprezavam o futebol, gente do gabarito de Jorge Luis Borges, outro argentino que, de birra, chegou até a dar aulas durante a Copa do Mundo de 78, bem na hora do jogo da seleção argentina.

Mas há um terceiro time, recheado de grandes caras, que não só enalteciam o esporte das multidões como poderiam ser considerados torcedores comuns, com todas as fraquezas e alegrias que um apaixonado por futebol pode sentir.

Gabriel García Márquez, mais conhecido escritor colombiano, faz parte desta última seleção. Ainda que sua convocação tenha vindo tardiamente: só depois dos 20 anos é que Gabo foi seduzido pela arte de jogar com os pés e se tornou fervoroso hincha do Júnior de Barranquilla e admirador confesso de um craque brasileiro: Heleno de Freitas, que brilhara também no Botafogo.

E como qualquer torcedor, Gabriel García Márquez também sofreu com a Copa do Mundo. Conta-se que em 1994, durante o Mundial dos Estados Unidos, o escritor apostou uma Mercedez com um amigo que a seleção colombiana levaria o caneco.

Não se sabe se sua confiança vinha da profecia de Pelé que também acreditava no poder daquela que foi a mais forte seleção colombiana de todos os tempos, nem se Márquez pagou a aposta, embora seja conhecido de todos que aquele time da Colômbia amargou um retumbante fracasso ao ser eliminado na primeira fase.

O que não impediu ao grande cérebro (e grande cabeleira) daquela célebre equipe, Carlos “El Pibe” Valderrama,  de publicar uma generosa mensagem de despedida quando, em 17 de abril de 2014, Gabriel García Márquez entrou para outro time de escritores latinos, os eternos: “morre o ser humano, vive a lenda. Gabo, que sempre nos fez sonhar no mundo de suas letras, nos abandonou. Descanse em paz”.