Dicionário do Futebol Arte – Prefácio

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Em defesa da arte: juntos na seleção, Garrincha e Pelé nunca perderam um jogo.
Vitória da arte: juntos na seleção, Garrincha e Pelé nunca perderam um jogo.

Depois que a seleção brasileira de 1970 atravessou sonhos de torcedores de todo planeta, como a flecha disparada por Eros perpassa o coração dos apaixonados, ergueu-se no imaginário dos amantes do futebol um monumento inabalável da arte.

Nem durante 24 anos de jejum, o futebol brasileiro deixou de alimentar o mundo com sua fantasia capaz de encantar e transformar derrotas em lendas, daquelas que o herói tomba no campo de batalha, mas fica para sempre vivo na memória de quem aprecia o toque de bola, o drible, o efeito e a catarse que essa arte provoca. Assim foi na Copa da Espanha em 1982.

É verdade que ganhamos o Mundial de  94 com três volantes. Em 2002, levamos o pentacampeonato com três zagueiros. Em um mundo cada vez mais de números e menos de sutilezas, a busca intransigente pelo resultado muitas vezes nos obrigou a abrir mão da ofensividade.

Mais de uma vez negamos nossas raízes, responsáveis em carregar a bola como seiva do requebrado, em troca de esquemas truncados, força física e pragmatismo. Mesmo assim, dos pés de nossos craques, a arte do futebol surgia em momentos tão sublimes quanto inesquecíveis, quase como combustão espontânea que mantém acesa a chama do jogo feito para divertir.

Claro que é impossível ignorar a contribuição de tantas outras nações que também se tornaram exímios cultivadores de belas jogadas nos campos e na criação de pinturas em forma de gols. Não se pode nunca esquecer que o belo futebol pode nascer em qualquer lugar, em qualquer canto da Terra. Por isso, cabe a nós também aprender com o mundo. Aqui não será diferente.

Criar um dicionário ilustrado com bonitas jogadas foi a maneira que encontrei para buscar o prazer em pesquisar, fuçar e redescobrir momentos que marcaram a história. Além de desvendar uma linguagem riquíssima, capaz de inúmeras variações dentro de um mesmo idioma ou de criar termos específicos apenas em uma determinada língua.

A ideia é juntar belos lances do futebol ilustrados e tentar mostrar acomo esses movimentos são descritos, inclusive em outros idiomas (ou, ao menos, na língua das oito seleções campeãs do mundo: português, espanhol, alemão, inglês e francês).