Robert Plant: figurinha da Inglaterra

Robert Plant figurinhaSeu ofício foi liderar uma das maiores linhas de quatro músicos que a Inglaterra foi capaz de montar em sua rica história no rock. Junto ao baterista John Bonham, do baixista John Paul Jones e do guitarrista Jimmy Page, Robert Plant sempre será lembrado como o homem de frente do Led Zeppelin.

Além da música, o vocalista nunca escondeu sua paixão pelo futebol. Há até provas documentais de que Robert Plant sempre se sentiu à vontade dentro de campo.

Desde os cinco anos, começou a se tornar fã dos Wolverhampton Wanderers ou, simplesmente, Wolves. Segundo ele, o motivo principal era o jogador Billy Wright que, na época era uma espécie de Beckham no país, formando um casal famoso com sua esposa.

Por falar em casamento, Robert Plant também já admitiu que, apesar de um imortal do rock, como qualquer homem de carne e osso já enfrentou problemas em seu matrimônio por causa de sua dedicação em seguir os Wolves.

Atualmente com 65 anos, o senhor Plant jamais deixou de lado sua dedicação ao time. Os Wolves já afundaram até a quarta divisão, hoje estão na terceira, e as glórias praticamente ficam restritas à década de 70, mesmo período em que o Led Zeppelin alcançou seu esplendor máximo. Mas assim como não abandona suas canções, Robert Plant não abre mão do futebol e do seu time do coração. Já foi até vice-presidente do clube e sua última demonstração foi pagar 900 libras para jogar uma partida de despedida em memória dos serviços prestados por Jody Craddock, zagueiro dos Wolves.

Pavarotti: figurinha da Itália

Pavarotti figurinhaDizem que como quase toda criança na Itália, ele também sonhava em ser jogador de futebol. Na wikipedia consta sua paixão pelo calcio e seu amor pela Velha Senhora, a poderosa Juventus de Turim.

Mas a fama e o reconhecimento vieram por sua competência em uma área que possui muito menos espaço na mídia do que o esporte: a música clássica.

Por mais que seu carisma, o alcance vocal e sua habilidade indiscutível tenham sido essenciais para sua consagração, Luciano Pavarotti também acabou tocado pelo futebol para que pudesse se tornar uma das figuras públicas mais conhecidas mundialmente e também para fazer a música clássica alcançar um patamar de popularidade incomparável.

Foi durante a Copa do Mundo da Itália, em 1990, que Luciano Pavarotti se apresentou pela primeira vez, em um concerto promovido pela FIFA, junto aos tenores espanhóis Plácido Domingo e José Carreras, além do maestro Zubin Mehta. A partir dali, eles fariam o álbum mais vendido de todos os tempos da música clássica e, como no futebol, também despertariam a ira de alguns fãs radicais, defensores da “autêntica música erudita” e que torceram o nariz para a massificação do estilo.

Seja como for, a apresentação se repetiria várias outras vezes, inclusive na final da Copa do Mundo em 1994 nos EUA, quando o show ganhou ainda mais repercussão e ficou marcado também pelas brincadeiras de Plácido Domingo e José Carreras durante a execução da Aquarela do Brasil com o tenor italiano , que pouco depois veria sua seleção perder o título mundial nos pênaltis para o Brasil.

Tom Zé: figurinha do Brasil

 

Tom Ze

Não há juiz mais rigoroso que a opinião pública digital.

Em tantos bites gastos na produção implacável de julgamentos, um deslize basta para alguém colocar sua biografia a perder.

Por falar nelas, Caetano Veloso e Roberto Carlos, por exemplo, não sem alguma justiça, foram condenados a chibatadas virtuais contra suas posições antidemocráticas sobre a legislação das histórias pessoais. Infelizmente, seguindo a linha de qualquer sistema penal brasileiro, nas redes sociais também é difícil controlar excessos e há quem tenha usado a polêmica para diminuir obras extensas de dois grandes artistas da música.

Recentemente, coisa parecida se deu com Tom Zé por conta de outro tema. Como muitos artistas fazem, o cantor baiano assinou contrato e cedeu sua voz para um comercial da Coca-Cola. Mas o refrigerante desceu torto. O gesto foi suficiente para uma saraivada de cacetadas digitais vindas não só dos que o penalizavam por supostamente ter se vendido e algumas viúvas de Stalin que o acusaram de se curvar ao deus capitalista. Há os oportunistas que,  embora não vissem problema caso outro artista fizesse o mesmo, aproveitaram a onda para tentar reduzir a grandeza de Tom Zé.

Mas a história do músico é dessas coisas impossíveis de se apagar. É bom lembrar seu lugar cativo no time da Tropicália que mudou os rumos da música brasileira e interferiu na política durante a Ditadura Militar (Tom Zé sempre fez questão de propagar suas ideais políticas e jamais se omitiu mesmo quando o adversário era poderoso). Depois do sucesso, viveu no ostracismo, até cair no gosto de David Byrne, líder do Talking Heads e pesquisador das sonoridades dos trópicos, que impulsionou o músico brasileiro a uma carreira nos festivais europeus voltados para ouvidos mais exigentes.

De volta à polêmica nas redes sociais, frente ao pelotão de fuzilamento de teclados e celulares, Tom Zé mostrou serenidade. Lançou um álbum independente e o batizou Tribunal do Feicebuque. Em vez de alimentar agressividade e rancor, fez um disco especial para o assunto, com apenas 500 cópias e disponível para download gratuito em sua própria página da web. Guardadas as distâncias do tempo, da forma e da causa, as letras são um pouco como a carta deixada pelo filósofo Sócrates, antes de sua execução por envenenamento na Grécia antiga: uma legítima defesa ante a insensatez de quem o julga.

Afinal, Tom Zé não é figura que se dá ao luxo de fugir da polêmica. Basta rememorar a clássica imagem da capa de um de seus álbuns, o “Todos os olhos”.

Além disso, ao que tudo indica, e ao contrário de muitos artistas brasileiros, o tempo não parece indicar mudança no caráter de Tom Zé. Logo após o desencadeamento da polêmica com a Coca-Cola, questionado por um jornalista se também assinaria um contrato para a Copa do Mundo com a Fifa, respondeu:  “Aí, eu não me meto. A Fifa é um negócio de trapaceiros. O futebol é um esporte lindo, administrado por bandidos.”

Em tempo: Tom Zé era fã do Botafogo, mas acabou se apaixonando pelo Corinthians e até já fez música para homenagear o clube na ocasião do segundo título mundial.

Futebol e suas biografias (não) autorizadas

A bola dividida em que se transformou a discussão sobre biografias expõe sintomas e também deverá trazer consequências para nossa cultura. Inclusive à futebolística.

Um desses sintomas é que um debate centrado na liberdade de expressão e informação, evidencia que o nível da democracia no país ainda não faz parte da primeira divisão no mundo. Mas pelo menos existe um debate.

O resultado é pior porque a obstrução ao direito de contar a História não parte de políticos perebas, mas de artistas que em suas biografias já somaram pontos por brigar pelo fim da censura. Não é o caso de Roberto Carlos.

É até concebível que no país do futebol, onde o rei do esporte nega um resultado de DNA para não reconhecer uma filha, que outros membros da realeza também queiram perpetuar só a parte que lhes agrada. É possível que o desejo da imortalidade, traga uma vontade doida de perfeição, ainda que por canetada. Como alguém já disse em alguns destes muitos textos sobre as biografias, às vezes figuras públicas se esquecem de que são admirados justamente por serem de carne e osso e, apesar disso, também providos de talentos únicos. E não por serem deuses infalíveis.

Agora, saindo pela lateral nessa discussão com turno e returno, imaginem como seria se alguns jogadores de futebol encampassem a ideia de prevalecer apenas sua própria biografia autorizada. Como seriam recontados ou omitidos os fatos de suas súmulas biográficas? Os goleiros poderiam sublimar seus frangos, os atacantes ignorar seus gols perdidos, os zagueiros jamais teriam falhado no momento decisivo e os técnicos nunca teriam feito aquela substituição que deu errado.

Eis alguns possíveis trechos das biografias autorizadas de alguns dos maiores craques de todos os tempos.

Pelé (Autobiografia em terceira pessoa)

Em 17 de junho de 1970, Pelé marcou seu gol mais bonito. Ao receber um lançamento, o camisa 10 da Seleção deixou a bola passar sem tocá-la, iludindo o goleiro uruguaio Mazurkiewicz, para em seguida fazê-la dormir no fundo do gol. Placar final: Brasil 4×1 Uruguai.

Maradona

Em 22 de junho de 1986, Diego sobe o mais alto que pode de seu um metro e oitenta e cinco de altura, muito mais alto do que o goleiro inglês, e com uma testada firme faz 1 a 0 para a Argentina na Copa do México. Depois, o gênio do futebol também  faria o segundo ao driblar o English team inteiro – inclusive goleiro. A essa altura ninguém mais duvidava de Sua superioridade sobre o brasileiro Pelé.

Roberto Baggio

Era 17 de julho de 1994, Baggio, mesmo com dores que quase o tiraram da partida, corre para  a marca fatal e, com sua reconhecida calma budista, desloca Taffarel para o canto direito e empurra a bola ao lado contrário. Ele diminui a diferença, mas não evita que o título vá para o Brasil porque um jovem e desconhecido Berluschini chutaria para o alto a cobrança decisiva.

Zidane

Naquele 9 de julho de 2006, mesmo não alcançando sua segunda Taça Copa do Mundo, o gênio francês entra para a história do Fair-Play mundial. Mesmo com chances de dar sequência a uma jogada no meio de campo, Zizu interrompeu o jogo para acudir o zagueiro italiano Materazzi que, estendido no gramado, estrebuchava com falta de ar. Zidane fez até respiração boca a boca no adversário que gentilmente agradeceu: “nem sua nobre irmã, por mais prestimosa que seja, faria uma respiração melhor do que essa”.

Platini

Sobre o convite de Blatter, o craque francês e da Juventus de Turim, preferiu nunca se envolver na política e, por isso, não assumiu cargo na UEFA. A decisão impediu que ele se envolvesse com gente da pior espécie da cartolagem mundial.

Ronaldo

Depois de ser o melhor jogador do mundo por três vezes e se machucar e dar a volta por cima em outras três, todas as coincidências com três acabam aqui. O craque foi o grande embaixador da Copa de 2014 no Brasil. Como legado, Ronaldo não só se destacou pela luta na melhoria de infraestrutura do esporte de base, pela adequação do calendário esportivo e até na construção de hospitais que ele sempre considerou mais importante do que arenas. Resumindo, o craque jamais se curvou mesmo diante de grandes empresas e dos poderosos dirigentes do futebol brasileiro.

Romário

No dia 20 de maio de 2007, Romário conseguiria igualar um dos feitos de Pelé ao atingir a marca de 1000 gols. O milésimo tento foi marcado de pênalti, assim como o Rei, contra o Sport. (OH Wait…)

Black Sabbath eterno

Foto: AP/Jonathan Short - G1
Foto: AP/Jonathan Short – G1

Apesar de ter nascido pouco tempo depois de Ozzy ser dispensado do Black Sabbath, foi à formação original do grupo e aos seus primeiros álbuns que me voltei durante a adolescência e que me abriram as portas do rock. Entre elas algumas que me levaram à insensatez de entrar em discussões com outros fanáticos por achar que Tony Iommi montou excelentes bandas com Dio e Ian Gillan, por exemplo, mas Black Sabbath só existia de verdade com Ozzy no microfone.

Aos 11 anos, comprei o CD Sabbath Bloody Sabbath, quinto álbum de estúdio da banda e até hoje aquele que ouço com mais carinho. Quase sempre de cabo a rabo.

Depois, compraria o Volume 4, outra preciosidade, até chegar à gênese do heavy metal que foram os dois primeiros: Black Sabbath, título de estreia, e o clássico seguinte, Paranoid.

Porém, confesso:  ao ler pela primeira vez a notícia sobre um novo disco com a formação original (ou ao menos 75% dela, sem o baterista Bill Ward) minha reação foi de pura desconfiança.

Aquela altura já tinha aprendido que a decadência é inevitável  até para meus heróis do rock and roll, portanto não gostaria que o Black Sabbath, minha banda do coração, a registrasse em estúdio como tantas outras clássicas e decadentes bandas fizeram ao lançar novos trabalhos.

Quando saíram as primeiras resenhas, fiz questão de não ler. Fugi da competição – que premia ninguém – para saber quem tem a opinião mais rápida sobre um novo disco liberado na rede. Às vezes, acho que já há “críticos” escrevendo sobre discos que nem serão lançados. Na era digital leva-se muito em conta a velocidade.

Felizmente, o Black Sabbath faz parte de outra época. Tony Iommi consegue ser um dos maiores nomes da guitarra mundial sem precisar tocar milhares de notas por segundo. Basta a nota certa no tempo exato. Isso faz diferença.

Inclusive, revelam as notas da imprensa, uma dos acertos do experiente produtor Rick Rubin foi deixar os tiozões à vontade no estúdio para tocar sem pressa e deixar que as músicas cumprissem seus ciclos de 5, 6 ou até mais minutos de duração.  Depois, fiz minha parte e ouvi o disco novo com calma mais de uma vez. Sensação de ótima surpresa. Diria até que “13”, como Ozzy batizou o álbum novo, chega a ser melhor do que alguns trabalhos pré-separação da banda no fim dos anos 70.

Tudo isso encerrava uma questão. Sim, eles ainda são capazes de fazer novas músicas boas! Só faltava vê-los ao vivo.

Ozzy no mesmo palco que  Tony Iommi. Sinceramente achei que nunca teria oportunidade de ver essa cena. No entanto, assistir a isso com o guitarrista passando por um tratamento de câncer e Ozzy voltando à rotina do que foi toda a sua vida – uma  reabilitação sem fim – já parecia roteiro de filme. E não é que foi mesmo?

Se não há mais a mesma energia natural de quem tem 20 ou 30 e poucos anos, nem com o gás proporcionado por otras cositas, alguns sinais nem o tempo apaga. Ao contrário, os tornam ainda mais marcantes.

A velhice deixou Ozzy com mais jeito de bruxo-alucinado. Seu carisma está intacto e ele até aprendeu a lidar melhor com a voz para não desafinar tanto durante seus berros.  Tony Iommi, em seu sobretudo preto e sem as duas pontas dos seus dedos da mão esquerda que o fizeram se reinventar enquanto  músico, mantém a pegada monstruosamente pesada em sua guitarra. É o pai da banda e tudo começou por ele. Geezer Butler, baixista e letrista, é quem dá o ritmo tranquilo,  seguro e, claro, com todo o arsenal de graves que as músicas mais sombrias da história do rock exigem. Durante as duas horas de apresentação permanece praticamente estático em um dos cantos do palco. É a cama perfeita para Iommi deitar com potentes solos.

Não há telão de alta definição, não há coreografias, não há efeitos especiais, nem pirotécnicos.  Este um luxo reservado somente para mestres capazes de reter a atenção de 70 mil pessoas apenas com música e presença de palco enquanto o espetáculo prossegue entre delírios do público extasiado e os sorrisos dos velhos roqueiros.

Definitivamente, o Black Sabbath trilhou nas sombras do rock seu caminho para a eternidade na música. E eu que cheguei por décadas atrasado pude vê-los e ouvi-los de perto.

PS.: Mais uma vez a organização de um grande evento em São Paulo foi horrorosa e indigna da apresentação de uma banda histórica como o Sabbath e completamente desrespeitosa para com um público que pagou um dos ingressos mais caros da turnê mundial da banda. Mas sobre isso prefiro não me estender por já não ter mais esperança de que alguma coisa mude para melhor ainda neste século. 

Sobre donzelas e damas de ferro.

Ouvi falar de Margaret Thatcher quando tinha uns 11 anos. Minha apresentação à líder política não foi das melhores.

Naqueles tempo, desenvolvia-me um ardoroso fã de Heavy Metal e do Iron Maiden.

Segundo lia nas revistas segmentadas da época, a Donzela de Ferro – tradução do grupo inglês e também alcunha de uma máquina de tortura medieval – e a Dama de Ferro – como era conhecida a primeira-ministra britânica – não se bicaram, a despeito das semelhanças dos nomes.

O motivo seria uma capa do single “Sanctuary” (foto), lançado em 1980, que projetava uma imagem da primeira-ministra deitada ao chão, golpeada de punhal pelo mascote Eddie após ela rasgar um cartaz que divulgava um concerto da banda. Há quem diga que a banda não simpatizava muito com o jeitão autoritário de Thatcher.

Apesar de ser facilmente encontrada hoje na web, a capa foi censurada na época.

Segundo rezam os fãs do Iron Maiden, a banda ainda faria mais uma provocação na capa do álbum Killers, na qual a “Dama de Ferro” não aparece, mas é, supostamente, outra vez a vítima fatal do monstrengo Eddie.

Se há uma marca inerente ao Iron Maiden é o conservadorismo. A estrutura de suas músicas permanece a mesma ao longo do tempo. Só que a dosagem conservadora de Thatcher foi tão alta quanto o incômodo barulho que uma banda de metal devia causar aos ouvidos daquela senhora.

Não tenho mais 11 anos, o Iron Maiden não faz tantas músicas legais como na década de 80 e meus motivos para não gostar de Margaret Thatcher cresceram.

Por isso, enquanto muitos manifestam sua nostalgia, órfãos da mãe do neoliberalismo ocidental,  transcrevo abaixo um texto que condensa boa parte das coisas que me provocam repulsa à Margaret Thatcher.

Curiosamente, palavras escritas por um roqueiro: Morrissey, que, se na música tem um som bem mais suave que o metal, nas palavras tem corrosão suficiente para destituir a boa imagem da Dama de Ferro.

Thatcher: um terror sem um átomo de humanidade

O cantor Morrissey, da banda seminal dos anos 80 The Smiths, reage à notícia da morte da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher.

The Daily Beast

Thatcher é lembrada como A Dama de Ferro porque só possuía traços completamente negativos, como a teimosia persistente e a recusa de ouvir aos outros.

Cada movimento que fazia era carregado de negatividade; ela destruiu a indústria manufatureira britânica, odiava os mineiros, odiava as artes, odiava os combatentes da liberdade irlandeses e permitiu que eles morressem, odiava os ingleses pobres e não fez nada para ajudá-los, odiava o Greenpeace e ambientalistas, foi a única líder política da Europa que se opôs a uma proibição do comércio de marfim,  não tinha nenhuma sagacidade e nenhum calor a ponto de seu próprio Gabinete demiti-la. Ela deu a ordem para explodir o Belgrano, mesmo estando fora da zona de exclusão das Malvinas – e navegando em direção oposta ao das Ilhas!  Quando os jovens argentinos a bordo do Belgrano sofreram  uma morte terrível e injusta, Thatcher fez sinal de positivo  para a imprensa britânica.

De ferro? Não. Bárbara? Sim.  Ela odiava feministas apesar de ter sido em grande parte devido ao avanço do movimento de mulheres que o povo britânico permitiu-se a aceitar que um primeiro-ministro pudesse  ser do sexo feminino. Mas por causa de Thatcher, pode ser que nunca mais haja uma outra mulher no poder na política britânica. Em vez de abrir a porta para outras mulheres, ela fechou.

Thatcher só será lembrada com carinho por sentimentalistas que não sofreram sob a sua liderança, mas a maioria dos trabalhadores britânicos já a esqueceu e as pessoas da Argentina devem estar celebrando sua morte. Os fatos mostram, sem sombra de dúvida, que Thatcher era um terror sem um átomo de humanidade.
Morrissey.

PS.: Vi esse texto publicado pela primeira vez no blog O Esquerdopata.

Torcida do Liverpool canta Beatles

Há momentos em um estádio de futebol que são capazes de arrepiar até o ser humano mais indiferente à emoção. Nesse vídeo, de 1964, qualquer amante do futebol fica de pelos eriçados ao ouvir a potência das vozes da torcida inglesa cantando, no auge do Yeah-Yeah-Yeah, a linha de quatro mais genial daquele país: os Beatles.

 

Volta do Faith no More

Você, torcedor de algum time, já deve ter imaginado num simples exercício de prazer, como seria bom ver aquela equipe que marcou época jogando novamente.

Algo mais ou menos como se o corinthiano pudesse trazer o time de 99 no lugar daquele horroroso que caiu ou o palmeirense, na mesma situação, fosse capaz de resgatar a equipe de 94 (ou ainda mais longe, o timaço da Academia).
Ou ainda, se o torcedor brasileiro conseguisse levar para a Copa de 90 o time de 82 (sem o Lazaroni também, óbvio).
Claro que as barreiras físicas e do tempo impedem que delírios como esse se tornem reais. Ao menos no futebol.
Porém, acredite, na música isso é possível. Mais especificamente, no Rock, foi exatamente isso que ocorreu.
Claro que o leitor vai dizer que não há novidade nenhuma nos dias de hoje em se assistir o retorno de medalhões com suas velhas guitarras e companheiros de palco.
Seja por oportunismo, por necessidade de fazer uma graninha ou mesmo só por prazer, uma enxurrada de grandes nomes andaram se reecontrando com a sua torcida, ou melhor, seu público. E não são poucos para torcer o nariz, fazer bico e dizer que essas reuniões são pura jogada comercial (e o que é não é em nossos tempos modernos?). De qualquer forma, isso mais parece uma evidência de que em todo lugar há sempre uma turma do amendoim para cornetar.
Desfeito no ano de 1998, o Faith no More voltou em 2009 para dar espetáculo. E conseguiu.
Um timaço de músicos que mais de uma década depois de se separar, repetiu aquilo que faziam de melhor: um som moderno, um concerto autêntico e com muito mais disposição do que a grande parte das “novidades” sonoras do My Space.
No último sábado, o capitão Mike Patton e sua trupe (desfalcada do guitarrista original, mas nem por isso menos afinada) detonaram uma apresentação impecável na Chácara do Jockey em São Paulo (Festival Maquinária). Com chuva e tudo, fizeram os fãs esquecerem as intepéries do tempo (e aqui não me refiro ao clima, mas ao passar dos anos).
O Faith no more fez com que os fãs da música pudessem reviver uma belíssima amostra do que melhor se fez no rock nos anos 80 e 90 e, talvez, mostrar para os novatos algo que eles ainda não puderam ver em bandas hypes da internet: carisma, autenticidade, conhecimento musical e, por que não dizer, geográfico. A banda cantou em português, trocou o “ela é carioca” por “ela é paulista” e ainda preteriu o tradicional “fuck” pelos bem mais sonoros palavrões em português: “porra, caralho”.
Sem se colocar no pedestal de quem sempre precisa ser levado a sério, Mike Patton e cia não renegaram nem a veia brega que se mistura às influências de metal, funk e rap nas músicas do grupo.
Formação clássica é isso aí.