Julio Iglesias: Figurinha da Espanha

Julio IglesiasJulio Iglesias é o cantor espanhol mais famoso no mundo. Como se fosse um Cervantes do som.

O que nem todos sabem é que seu caminho para a música só foi trilhado por seu envolvimento com o futebol e também por um grave acidente que o afastou das canchas.

Reconhecido por sua voz aveludada, no início dos anos 60 Julio Iglesias ainda era goleiro do time juvenil do Real Madrid e, segundo relatos de alguns dirigentes merengues da época, tinha um futuro promissor na posição.

Até que o destino interferiu de maneira violenta em sua vida e, um dia antes de completar 20 anos, um acidente de carro o mandou para a cama de um hospital sob o risco de nunca mais voltar a andar. O jovem jogador acabou afastado para sempre do futebol. Era o fim do Julio Iglesias goleiro.

Porém, era o começo do Julio Iglesias cantor.

Na mesma cama em que se  encontrava prostrado, se recuperando do acidente, Julio Iglesias ganhou um violão e começou a praticar a arte que o levaria a cantar e encantar uma imensidão de fanáticos, maior até do que a torcida do Real Madrid.

Chico Buarque: figurinha do Brasil

Chico BuarqueChico Buarque já foi coadjuvante de luxo no Álbum de Figurinhas quando Bob Marley mostrou suas habilidades com a gorduchinha jogando no Brasil.

Torcedor do Fluminense, o compositor tem uma relação muito intensa também com outro time: Politheama. Esse é o nome do campo / time em que Chico, notório viciado em um joguinho de bola de fim de semana, é por lá que ele tradicionalmente reúne os amigos e, dizem, saíram muitas histórias. Inclusive, foi aonde Bob Marley jogou naquela ocasião.

O cantor não só tem uniforme e sede para seu time, como até compôs um hino para reverenciar em música e versos sua paixão.

Lollapalooza, Copa do Mundo e os eventos à brasileira

LollapaloozaNo último sábado fui ao Lollapalooza.

Confesso que não havia comprado ingresso por causa do preço e só compareci porque, na última hora, acabei presenteado com um convite.

A chegada foi tranquila de transporte público. Segui a orientação dos organizadores e a experiência de quem já havia ido a dois shows de rock em Interlagos.

Definitivamente, o autódromo não é uma boa escolha para eventos dessa natureza ( aliás, já ouvi mais de uma vez que nem para corridas ele é o melhor exemplo).

Porém, a tranquilidade acabou rápido. Ao entrar, minha grande dúvida era como funcionaria (ou não) a estrutura megalomaníaca com 4 palcos, os mais distantes separados por 2,5 quilômetros de distância.

Além dos palcos, haviam banheiros, quiosques para comprar fichas, barracas de comes e bebes, grandes espaços para os patrocinadores e muita, muita gente.

Em pouco mais de uma hora zanzando lá dentro, não tive sucesso em praticamente nada do que tentei fazer. A fila das fichas era enorme e demorada e as barracas de comida estavam superlotadas. Os únicos shows que rolavam estavam longe.

Assim que uma apresentação acabava, uma quantidade enorme de pessoas tentava se locomover para comer, beber e usar os banheiros, mas a geografia do autódromo, cheia de afunilamentos, criava enormes gargalos que formavam enormes congestionamentos de pessoas.

Grandes concentrações de gente, muito mais do que a infra suportava, e o evento se tornou uma representação perfeita da cidade de São Paulo: um fracasso em mobilidade.

Quem não conseguia comprar ficha, tentava pagar os ambulantes “por fora”. Por sua vez, os vendedores que viram uma oportunidade de levar um a mais cobravam em dinheiro, alguns se negavam a vender com ficha e quem já havia comprado as fichas começava a ter dificuldades em consumir uma pipoca, como foi o meu caso.

Não houve uma pessoa que conversei depois do evento que não reclamasse da dificuldade de acesso aos serviços do festival.

A intenção de se fazer um grande evento de rock é louvável e espero que aconteçam outros. No entanto, se pudesse dar apenas um conselho aos organizadores, diria: menos.

Menos palcos, menos preço nos ingressos, menos de nove reais em uma cerveja.

A tentativa de se fazer um evento gigantesco, de proporções muito maiores que aguentava o local e a organização provocou uma overdose na estrutura.

Penso se a vontade de lucrar não tirou a vontade de se satisfazer os fãs de música e, talvez, valesse uma reflexão com um pouquinho da filosofia de Woodstock: menos dinheiro, menos ostentação e mais música, por favor.

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Ao voltar do show, demorei vários minutos para entrar na estação de trem e a Copa do Mundo me veio a cabeça, junto com a frase “a Copa das Copas” que retumbava ao fundo.

O Mundial padrão FIFA poderia ser feito com menos sedes e com menos estádios novos, construídos de última hora.

Poderíamos fazer uma Copa do Mundo no Brasil da maneira que o país é capaz de suportar, mas optou-se por algo grandioso, com porte e garbo  do tamanho da ambição de se ganhar dinheiro dos organizadores.

O atraso dana conclusão nos estádios e a menos que mínima execução das obras de infraestrutura comprovam que essa mania de grandeza já atrapalhou.

Como no Lollapalooza, na Copa do Mundo será preciso torcer para que a capacidade de improviso acima da média do brasileiro e a tolerância do povo com os péssimos serviços oferecidos sejam capazes de dar conta para que tudo aconteça sem grandes enroscos ou até mesmo em tragédia.

Dia de San Valentin (Valentine’s Day)

Hoje é dia de San Valentin, o dia dos namorados em muitos países.

Há uns 4 anos, a marca esportiva PUMA fez  um vídeo bem legal que mostra torcedores apaixonados cantando furiosamente, da mesma forma que fazem para empurrar seus times do coração. Só que em vez de entoarem gritos de um clube de futebol, eles cantam a plenos pulmões a balada romântica “Truly Madly Deeply”, do Savage Garden, como se estivessem em um coral se declarando para a pessoa amada.

Versão original da música aqui.

Aqui as outras versões da campanha em italiano, alemão e francês.

Armin Van Buuren: Figurinha da Holanda

armin van buurenEle é um dos DJs mais conhecidos de todo mundo e sua música é tocada em grandes festas. Não por acaso, Armin Van Buuren foi convidado para tocar durante a Eurocopa de 2012, quando ela foi sediada pela dupla de países do leste europeu, na Polônia e Ucrânia.

Até aí nenhuma surpresa. O que chama atenção é outra festa comandada pelo DJ, quando em 2010 a seleção laranja, segunda colocada na Copa do Mundo, aterrissou em solo holandês.

O que para alguns países seria motivo de tristeza da torcida ou para os jogadores chegarem cabisbaixos ou, quem sabe, até serem tachados perdedores, na Holanda foi razão para uma grande festa. Com sua música eletrônica, Armin Van Buuren comandou uma recepção calorosa aos vice-campeões mundias. Ou melhor, os tri-vices campeões mundiais.

Além de 2010, a Holanda, com a memorável geração liderada por Johan Cruyff, também havia perdido as finais de 74 e 78 para Alemanha e Argentina, respectivamente. O que de certa forma só comprova como é respeitável alcançar uma final de Copa. E eles entendem o valor disso.

Veja o vídeo com a balada ao ar livre dos jogadores com as medalhas no peito:

Manu Chao: Figurinha da França

Manu chao figurinhaNascido em Paris, com pai espanhol, ele já morou na Colômbia e passou tempos viajando pela América Latina até que o resultado disso deu origem ao seu álbum mais famoso, Clandestino (1998). Manu Chao pode ser considerado cidadão do mundo.  Não se considera nacionalista nem regionalista. Aqui, vai para o álbum como figurinha da França.

Além das contundentes posições políticas em suas músicas, o futebol também aparece como inspiração. Há quem diga que sua ascendência espanhola falou mais alto na hora de escolher um clube do coração e ele virou torcedor do Deportivo La Coruña. Porém, há os que atestam que seu coração também já foi tocado pelo colombiano Santa Fé.

Mais fácil é reconhecer seu principal ídolo: Diego Armando Maradona, para quem até música já fez, “La vida tombola”. Manu Chao acredita que o craque argentino foi um dos poucos que teve coragem para criticar o sistema e bater de frente com aqueles que “lhe deram comida” e confirma: “há quem diga que Diego é um deus. Outros dizem que ele é um diabo. Diego é Diego. Como pessoa, tenho grande admiração por ele”.

Bob Marley: figurinha da Jamaica

Bob marley figurinhaPoucos artistas foram tão influentes em todo mundo e menos ainda demonstraram um amor tão grande pelo futebol como Bob Marley. O ídolo do Reggae sempre admitiu: maior que sua paixão pela bola, só a música. Para ele, futebol significava liberdade, um dos valores mais cantados em suas letras.

Apesar de não ter um time do coração em particular, Bob era um grande admirador de Pelé, Maradona e um outro clássico jogador argentino, Osvaldo Ardiles.

Como nunca dispensou uma pelada, não são poucos os registros de sua intimidade com a bola. Tanto que em uma das muitas partidas que ele fazia junto com a banda em meio às turnês e excursões ao redor do mundo, consta um momento célebre ocorrido em 1980, no Brasil. Em um contra histórico, figuraram craques como Chico Buarque, Alceu Valença, Toquinho e seu amigo, o ex-jogador Paulo César Caju.

crédito imagem: http://www.futebolarte.blog.br/musica/bob-marley-isso-e-amor/
crédito imagem: http://www.futebolarte.blog.br/musica/bob-marley-isso-e-amor/

Em 1978, durante a turnê Kaya, Bob Marley e os Wailers inspiraram todo o design das apresentações na Copa da Argentina e ainda dispunham de uma TV no ônibus para que pudessem acompanhar os jogos. Inclusive, como telespectador, Bob Marley tinha o costume de tirar o som porque não gostava dos comentários durante a transmissão.

Quando era criança, Bob Marley chegou até a apanhar de sua mãe por estragar seus sapatos jogando futebol com latinhas e outros objetos depois que saía da escola. História sem dúvida comum a muitos outros garotos.

Já adulto, um de seus projetos era construir um centro de treinamento para garotos na Jamaica, seleção que participou apenas da Copa do Mundo de 1998. Infelizmente, Bob Marley morreria antes, em maio de 1981, em decorrência de um câncer que se alastrou depois de um ferimento no pé ocorrido, por infeliz coincidência, durante um jogo de futebol.

Shakira: Figurinha da Colômbia

Shakira figurinhaNão é surpresa a figurinha da cantora neste álbum. Poucos não sabem que ela é casada com o zagueirão do Barcelona, Gerard Piqué, de tão comum que é a presença do casal nas páginas sociais.

Se ela não é uma autêntica apaixonada pelo jogo, ao menos marca presença na torcida. Inclusive, ela se escalou nas arquibancadas da última Copa das Confederações no Brasil e, certamente, garantiu um digno consolo para o marido vice-campeão.

Shakira também se apresentou nas duas últimas Copas do Mundo, em 2006 e 2010, e também lidera um projeto social ligado ao esporte chamado “Piez descalzos”. Uma referência direta ao álbum que a lançou para o sucesso mundial, com músicas interpretadas em seu castelhano da cidade colombiana de Barranquilla.

Roberto Leal: figurinha de Portugal

Roberto Leal FigurinhaA escalação de Roberto Leal como uma figurinha de Portugal tem uma certa dose de polêmica. Vivendo com sua família no Brasil desde os 11 anos, a escolha do cantor para representar sua terra natal pode até gerar protestos daqueles que o considerem um Deco às avessas. Isto é, um português que virou brasileiro.

É verdade, Roberto Leal adotou o Brasil. Mas aqui a regra é clara. Da mesma forma que consideramos Rod Stewart como representante da Escócia por sua inclinação ao Celtic, faremos o mesmo com ele, que nunca escondeu: sua primeira equipe de coração foi o Benfica. No Brasil, seu coração se arrastou pela Lusa, autêntica representante da comunidade ibérica em São Paulo.

Indiscutível, no entanto, é seu amor pelo futebol. Logo que a Lusa perdeu pontos e acabou rebaixada depois do fim do campeonato brasileiro, Roberto Leal cancelou até show para poder vestir as cores do time (e da terrinha) e marchar na Avenida Paulista em protesto contra a decisão do STJD.

Porque, afinal de contas, o vira é liberado. Virada de mesa, não.