A ilha – Fernando Morais

ilhaCuba não está rodeada apenas pelo esplendoroso Mar do Caribe.

Desde a Revolução, em 1959, a ilha também se viu cercada por uma polarizada (e improfícua) discussão política.

Gente que acredita que o país é um inferno na Terra porque não seguiu o capitalismo liberal é munida por uma mídia, na maioria das vezes, pautada pela posição diplomática dos EUA e que nunca fez muito esforço de ir além dos imigrantes tentando escapar do mundo socialista.

Na margem oposta estão aqueles que enxergam em Cuba um paraíso de igualdade e justiça social. Um exemplo irretocável a ser seguido pelo resto do mundo.

O livro A Ilha, de Fernando Morais, foi escrito em 1976 em uma longa viagem que o jornalista fez por lá. Resgatei meu exemplar por R$ 10,00, em um sebo no centro de São Paulo, no momento em que Barack Obama resgata os laços dos EUA com a ilha.

A despeito do tempo desde quando foi escrito até os dias de hoje, muitas questões abordadas no livro permanecem atuais e são didáticas para compreender Cuba sem o maniqueísmo que esconde as verdades e dissemina as fantasias maliciosas sobre o país.

Sem especulação, mas com depoimentos de funcionários públicos o livro mostra que é praticamente impossível negar como as liberdades individuais básicas foram tolhidas por um sistema autoritário.

A repressão do regime, o controle da mídia e a burocratização tornam alguns direitos fundamentais como mudar de emprego, viajar ou adquirir bens de consumo uma missão por vezes impossível.

No entanto, há também exemplos de realizações que deveriam deixar o povo de um gigante capitalista como o Brasil, no mínimo, curioso. O sistema de ensino e a saúde pública são lição até para os americanos.

A consciência coletiva que demonstram os médicos de Cuba quando vem ajudar o Brasil, atendendo no interior do país, ou quando vão à África tratar pacientes do Ebola, é um dos motivos de orgulho de Fidel Castro e foi cuidadosamente trabalhada desde os tempos de guerrilha na Sierra Maestra.

A gestão do esporte – principalmente enquanto Cuba recebia um generoso aporte da URSS pelo seu açúcar – também serviria como caso de estudo a cada membro do governo brasileiro responsável pelas Olimpíadas.

Destaco uma breve história sobre o boxeador Teófilo Stevenson. Campeão olímpico em Munique, recebeu oferta milionária para deixar Cuba e morar em Los Angeles. Recusou. Preferiu continuar sua vida como operário e boxeador amador.

Difícil saber o quanto o governo cubano “influenciou” uma decisão como essa, ainda mais hoje quando é possível se lembrar dos boxeadores que o governo Lula irresponsavelmente devolveu ao regime castrista.

Mas o livro também mostra que não são poucos os contentes com a situação de suas vidas em Cuba. Principalmente as pessoas que conheceram o regime anterior, quando Cuba era governada por um ditador subserviente aos desejos imperialistas dos EUA.

Certeza, saí com apenas três.

Um: quanto mais profundamente se conhece, mais difícil fica tomar posições radicais sobre as questões que envolvem Cuba.

Dois: nenhum governo que toma conta de um país por mais de cinquenta anos é digno de reverência.

Três: o embargo imposto pelo governo dos EUA é tão ou mais covarde e criminoso quanto as sanções que o governo de Fidel Castro impõe sobre seus próprios cidadãos. Para corroborar esse ponto de vista, compartilho esse artigo do ex-presidente norte-americano, Jimmy Carter, presidente na época em que Fernando Morais escreveu seu livro e que, aquela altura, já tentava sinalizar uma abordagem diferente quanto ao embargo que, é bom dizer, ainda continua, mesmo com o reatamento das relações entre os países.

Vídeo: Morte e Vida Severina (Auto de Natal Pernambucano)

Sem entrar na posição religiosa de cada um, o natal e o fim de ano podem ser uma boa hora para celebrar a vida e a renovação dela.

E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.

 

Sócrates

Sócrates
Imagem do meu celular

Entre os métodos de Sócrates na Grécia Antiga, está o famoso questionamento que incentivava seus alunos a pensar e refletir sobre um tema, estimulando a busca pelo conhecimento, ou a virtude, para usar o léxico do filósofo.

Quando seu Raimundo, leitor dos Diálogos de Platão e de muitas outras obras gregas, batizou seu primogênito com um do seus nomes mais marcantes não imaginava que ele seria o jogador de futebol mais original – e por que não dizer o mais filosófico – do Brasil. Sócrates desenvolveu seu próprio método para questionar todas as estâncias do mundo do futebol.

Seu legado é de uma riqueza espantosa e o livro Sócrates, do jornalista Tom Cardoso passa pela vida do craque contando (e recontando) histórias e diálogos que ajudam a entender sua personalidade pouco convencional para os padrões sociais. Ainda mais do futebol.

Como se vivesse uma missão intuitiva de ensinar, Sócrates, incentivou o questionamento dentro e fora do campo. Questionava convenções quando pedia o fim da concentração dos jogadores, questionava modelos comportamentais quando expunha livremente seus pensamentos e questionava até a lógica do esporte quando bebia sem limites e, mesmo assim, era capaz de exibir um jogo plástico, exuberante e também de resultados.

Sócrates também criou seus paradoxos, bem particulares. Um deles era capaz de colocar à frente todos times em que jogou usando a parte de trás do pé.

Sobre seu calcanhar o livro esclarece o que para mim era um mistério: Sócrates calçava 41, um pé diminuto para sua altura (1,95 m), mas um pouco maior do que algumas lendas que li e ouvi sobre sua chuteira estar numerada na casa dos trinta.

O paradoxo socrático no futebol também se estendia quando tomava decisões desprovido da razão sem, contudo, abandonar a lógica que movia seu caráter.

Sócrates, o filósofo, dizia que o conhecimento leva a virtude.

Conhecer a história desse jogador é tão importante para o pensamento do futebol brasileiro como os gregos são para a filosofia.

Em uma era dominada por técnicos retranqueiros, jogadores limitados, administrações incompetentes e viciadas em beneficiar a poucos, a história deixada por Sócrates é um testamento de princípios e idealismos que precisam ser resgatados para que o futebol brasileiro recupere o que sempre teve de melhor: a alegria de jogar bola.

O álbum de figurinhas na era da reprodutibilidade digital

Uma das aulas de teoria da comunicação na faculdade das quais me lembro alguma coisa explicava como o italiano Umberto Eco criou dois times ao teorizar sobre cultura de massa. Parecia uma maneira de simplificar as posições sobre o tema: Um grupo ele chamou apocalípticos, formado por aqueles que abominavam os efeitos da Indústria Cultural. O outro era dos Integrados, uma turma bem mais entusiasmada com a massificação da cultura.

Para expor minhas ideais que não são tão profundas, gostaria de fazer uma divisão com as mesmas nomenclaturas usadas pelo escritor de “O Nome da Rosa”, mas sem qualquer tentativa de paralelo com os conceitos originais. Também não pretendo transformar esse texto em uma aula de teoria da comunicação. Quero uma reflexão bem menos pretensiosa e traumática.

Meu ponto é como a transformação digital pela qual passamos criou uma divisão. Bem, certamente criou várias, mas gostaria de me ater em apenas duas: uma delas, chamarei de “Apocalípticos digitais” e são aqueles que preconizam a substituição total de qualquer meio físico por um similar digital, enquanto os “Integrados digitais” são aqueles que convivem e até se beneficiam das novidades tecnológicas, mas não renunciam absolutamente aos meios físicos.

Imagem do ótimo blog Old School Pannini (http://www.oldschoolpanini.com), que publica textos com figurinhas digitalizadas de diferentes épocas.
Imagem do ótimo blog Old School Pannini (http://www.oldschoolpanini.com), que publica textos com figurinhas digitalizadas de diferentes épocas.

O próprio Umberto Eco talvez estivesse enquadrado no grupo dos Integrados. Com seus mais de 80 anos, ele já admitiu usar o tablet e acessar livros digitais, mas não abre mão de ter um cômodo inteiro de sua casa dedicado a uma biblioteca particular com milhares de livros.

Da parte dos apocalípticos não cito um nome específico, já que foram muitos textos que li, alguns escritos há mais de dez anos, antes da popularização dos smartphones e tablets, que previam a rápida extinção do jornal impresso, dos livros físicos e das revistas. Um dos motivos que me fez usar o termo “apocalípticos” é porque eles sempre enxergam o fim de alguma coisa quando aparece uma novidade.

Entretanto, por mais que sofram a transposição inevitável para as telas, livros impressos ainda estão longe de acabar; as revistas continuam expostas até em prateleiras do supermercado; os jornais, ainda que agonizem, possuem um público que continua a sujar as mãos com a tinta do papel para se informar.

Na música, acertaram os gurus (apocalípticos ou não) que previram a extinção do CD como a grande fonte de lucros das gravadoras. O Compact Disc, que nunca passou de uma miniatura digitalizada do LP, acabou superado pelos arquivos digitais como o MP3 e os dispositivos móveis. Hoje, em uma nova onda do vinil, começam até a ser substituídos por eles. Mas quantas previsões tiveram a clarividência de que o disco de vinil, depois de descartado pelo CD, ganharia sobrevida para rir no túmulo daquele que decretara sua obsolescência?

Sobre o LP, outro professor italiano, Lorenzo Mammì, em artigo publicado na edição 89 da Revista Piauí ( A era do disco) , defende que não só por sua sonoridade, mas por seu formato, sua embalagem (capa) e sua tecnologia constituíam por si uma forma particular de arte. Todos elementos eram pensados para dialogar entre si.

No mesmo texto, Mammì também exemplifica como o livro digital é muito mais uma transição dos rolos egípcios ou das tabuinhas sumérias para as telas digitais do que propriamente dos livros de Gutemberg. Afinal, páginas de verdade você só encontra naquele formato impresso, onde é possível realizar  o tradicional ato de folhear.

Essa introdução fiz para dizer que me considero um Integrado. Trabalho com tecnologia e comunicação digital há mais de uma década, mas não consigo abandonar minha estante de livros e, vá lá, de alguns discos.

Não creio que um consumidor hoje compre discos de vinil, mas não se delicie com a facilidade de ter uma coleção infinita de músicas digitais para ouvir no dia a dia. Porém, cultuar o prazer de procurar um bolachão preto, botar na agulha e ouvir as ondas de graves e agudos diferentes dos arquivos digitais, enquanto admiramos o belo encarte da obra é outro tipo de experiência. Talvez mais romântica para uns. Talvez inútil para outros. Seja como for, vivenciar as experiências é exatamente o que difere essas duas visões do uso da tecnologia.

Essa discussão é longa e pode ser interminável. Mesmo que esses formatos analógicos possuam amantes eternos capazes de manter o negócio vivo e, quem sabe, lucrativo, dirão os apocalípticos, com razão, que todos já foram substituídos por similares eletrônicos. No entanto, acredito que ainda há um produto impresso que não possui nenhum formato digital correspondente e talvez nunca o tenha: o álbum de figurinhas.

Imagine qual seria a graça de colecionar um álbum no computador ou no celular, sem sentir aquela ansiedade de abrir os pacotinhos correr pelas mãos?

Como colecionar um álbum sem colar os famosos cromos ilustrados? Como ficar sem se irritar quando eles são fixados tortos na página ou não se empolgar conforme o álbum toma forma? Como resistir em não pegar bode daquela figurinha repetida que você já viu sair umas trezentas vezes?

Sem falar nas trocas.

Colecionar um álbum pode ser bem mais do que um passatempo. Pode ser um evento social. Talvez esteja aí a raiz da expressão “trocar figurinhas” usada como sinônimo de bate-papo. Nesse caso, a tecnologia não só está longe de ser um inimigo como até ajuda a estabelecer novos contatos virtuais que se convertem em figurinhas concretas, de papel e tinta.

Até as crianças, cada vez mais expostas e hábeis com às traquitanas tecnológicas, teriam algum interesse em trocar figurinhas por telas? Ou pior, poderiam brincar de bafo utilizando um gadget? Não creio.

Pode ser que alguém profetize que se não há substituição digital para o álbum de figurinhas, haverá a perda do interesse, graças às inúmeras possibilidades de jogos e de diversão nos meios eletrônicos. Logo, os álbuns como conhecemos desde nossos avós estariam fadados a desaparecer. Mesmo assim, isso demoraria um pouco até que as gerações mais antigas desaparecessem.

Não sou o único a acreditar que a frenética utilização dos aparelhos digitais e a obsessão pela velocidade tendem a mover os indivíduos cada vez mais para si mesmos e aposentar algumas atividades que demandem mais tempo, dedicação e concentração, como a leitura e as relações humanas. É provável que as novas gerações estejam mais propensas a esse perfil. Por outro lado, guardo a sensação de que as pessoas com prazer em terminar um livro nunca foram maioria em qualquer período histórico da humanidade.

Com a Copa do Mundo, que é o grande momento dos colecionadores de figurinhas e apaixonados por futebol, haverá um bom termômetro para saber a quantas anda o interesse da nova geração em fazer álbuns.

Intimamente, torço para que os álbuns de figurinhas sigam firmes ainda por muito tempo e até arrisco que demorarão a sair de cena. Sem teorizar muito, palpito que a busca por uma experiência mais sensitiva ainda será responsável por manter o papel vivo em nossa cultura por tempo indeterminado. Inclusive, assim como acontece com os livros, as editoras devem se esforçar em criar produtos mais bem acabados, com diferenciais de ilustrações e conteúdos extras. O último álbum lançado pela Panini (Brasil de Todas as Copas) foi um primor nesse sentido.

No que depender de mim, serei sempre um dos que resistirão à digitalizar certas coisas. Há muitas atividades que ainda necessitam contato físico para se materializarem em autêntico prazer.

Em tempo: apesar do entusiasmo do texto, meu pai não é o dono da Panini. 
Então, caso alguém queira trocar figurinhas quando começarem as coleções, é só enviar mensagem no twitter (@cultebol). 

Barbosa e a Copa do Mundo de 1950

Não tenha dúvidas de que você já leu ou ouviu e ainda lerá e ouvirá  muitas referências a 1950 por causa da Copa 2014 no Brasil.

O tom poderá ser eufórico, patriótico, irônico ou trágico a depender de quem fizer as comparações ou conforme a seleção brasileira estiver desempenhando seu papel. Mesmo depois de 64 anos, é natural que se repitam comparações como também é certo que se cometerão equívocos em relação aos fatos daquela Copa do Mundo que o Brasil viu escapar em casa contra o Uruguai.

Para quem deseja se aprofundar em 1950, esse é um momento oportuno para o livro Barbosa (à venda pela Editora Bússola), do jornalista Roberto Muylaert, lançado no ano 2000 (também ano da morte de Barbosa) na ocasião dos 50 anos do vice-campeonato do Brasil. Uma leitura que certamente trará novidades ao leitor sobre o tão falado jogo contra o Uruguai, como também contará alguns fatos que podem nos levar à conclusões um pouco diferentes das versões estabelecidas pelo consenso.

Essa é a capa do livro que tenho, em sua 1ª edição pela RMC Editora.
Essa é a capa do livro que tenho, em sua 1ª edição pela RMC Editora.

O objetivo mais importante da obra é entender e explicar a melancólica trajetória de Barbosa, responsável por expiar o pecado não só das 200 mil pessoas que se calaram naquele dia como de todos os brasileiros que ficaram de fora e até das gerações que nunca o viram em ação. A figura do goleiro, um dos maiores nomes da sua posição, é um exemplo duro e realista sobre como ídolos são tratados indigentemente no Brasil.

Barbosa era o titular indiscutível da posição naquele Mundial (coisa que a seleção de hoje, por exemplo, não tem) e por uma falha no segundo gol dos uruguaios pagou eternamente pela derrota, sendo alvo de atitudes tão covardes quanto aquela em que,  durante a preparação para a Copa de 1994, a comissão técnica de Parreira e Zagallo o impediu de visitar a Granja Comary sob o pretexto de que ele traria azar ao time.

A eterna cruz que carregou sozinho – Barbosa nunca tentou dividir a “culpa” da derrota com algum companheiro, técnico ou dirigente – é também “culpada” por um dos defeitos do livro, que apresenta seu melhor capítulo logo no começo, com o relato do episódio em que Barbosa expurgou ou tentou expurgar um pouco do carma quando usou para fazer o braseiro do churrasco as traves  que formavam os gols do estádio do Maracanã, naquele tempo quadradas e de madeira.

Mas a ideia é entender a História e ela, como se diz, é contada pelos vencedores, neste caso, prevalecendo a versão de quem tem cinco títulos mundiais. Não foi somente o Brasil que perdeu o título de 1950, mas o Uruguai que, heroicamente, conquistou a taça que muitos já achavam ter dono antes do apito inicial.

Com justiça, há no livro um capítulo dedicado exclusivamente ao bravo capitão da Celeste Obdulio Varela que, como ninguém, soube liderar e motivar sua equipe para alcançar um feito impossível apenas na cabeça dos brasileiros e, talvez, de uma maioria pouco familiarizada com a capacidade daquela seleção que já contava um titulo mundial e outros dois olímpicos.

Outro fator que torna essa leitura proveitosa nestes tempos é entender como a História, sob alguns aspectos, se repete se não em forma de farsa, ao menos ela vem em um roteiro atualizado com a superprodução que os novos tempos exigem, mas não muito diferente na ação de certos personagens. O Maracanã, cenário da final da Copa, foi construído às pressas, em dois meses, e praticamente inaugurado durante o torneio, provando que o atraso nas obras não é uma bandeira recente.

Episódio recorrente também é o descarado uso político da Seleção brasileira. O ponto mais alto da cara-de-pau de colarinho branco acontece momentos antes da grande final. Uma fila de políticos interrompeu a concentração para tirar uma casquinha da bola cheia do time. Um deles, o então candidato a senador Adhemar de Barros, responsável, além de atrapalhar o time de 50, por inaugurar um dos epitáfios políticos nacionais, o “rouba, mas faz”.

O autor relasta, inclusive, que os jogadores da seleção brasileira chegaram ao Maracanã sem almoçar direito e que até a preleção do treinador Flavio Costa seria interrompida por um assessor do prefeito da cidade do Rio de Janeiro que desejava garantir a caravana para comemorar o título.

Já dentro de campo, o ponto alto da urucubaca do oportunismo de nossos políticos foi o discurso do general Ângelo Mendes de Morais, prefeito do Rio de Janeiro, que, entre outras lameiras patrióticas, pregou: “A vós que eu já saúdo como vencedores! Cumpri minha promessa construindo esse estádio. Agora, fazei o vosso dever, ganhando a Copa do Mundo”.

Qualquer semelhança com o o papo megalomaníaco de “Copa das Copas” não é mera coincidência, tampouco é a comum ingerência de pessoas alheias ao futebol que, como parece, se repetiria de forma bastante evidente em outros mundiais muito tempo depois (alguém falou 1998? Ou 2006?).

Mesmo assim, sempre haverá quem prefira culpar o goleiro ou arrumar outra desculpa qualquer.