Andrea Bocelli: Figurinha da Itália

Bocelli figurinhaO Leicester City fez história ao ganhar pela primeira vez a Primeira Liga Inglesa.

Para celebrar a conquista, o clube que foi dirigido pelo treinador italiano Claudio Ranieri, convidou outro italiano para cantar uma música italiana. O espetáculo aconteceu antes da cerimônia de entrega do troféu.

O resultado foi esse do vídeo abaixo, com Andrea Bocelli cantando Nessun Dorma, clássico da obra de Giacomo Puccini.

O que Camus ensina sobre o Fair Play do futebol brasileiro

CamusO escritor Albert Camus era apaixonado por futebol. No livro Futebol ao Sol e à Sombra, Eduardo Galeano, outro craque da posição e apreciador  do jogo, conta que quando chegava em casa, a avó de Camus fazia uma cuidadosa inspeção no solado do seu sapato para conferir se havia um desgaste acima do normal. Em caso positivo, era sinal de que o rapaz havia jogado bola e naquele momento poderia iniciar seu aquecimento para entrar na surra.

Mesmo sob ameaça, ele não se desligou do esporte e eternizou uma frase sobre o jogo. Certa feita, Camus teria dito: tudo que aprendi na vida sobre moral devo ao futebol. E, ao menos no que se trata do caso brasileiro, o escritor argelino (que segundo à suposição de Galeano escolheu a posição de goleiro para evitar o desgaste das solas dos sapatos) não poderia estar mais certo.

Há algum tempo, no país em que se plantando nem tudo dá certo, brotam em diferentes cantos uma daquelas discussões circunloquiais, em que tanto Pedro quanto João brigam sem razão, e que diz respeito ao Fair Play no futebol. Uma expressão que já foi concebida de maneira tortuosa, se considerarmos que o tal Jogo Justo – ou Jogo limpo, como queiram -, foi gestado pela Fifa, entidade regida por gente pouco adepta à limpeza dos próprios negócios, que cultiva o hábito de investir em discursos e medidas politicamente corretas para jogar o que há de pior no esporte que ela dirige para debaixo de um tapete em que os cartolas pisam e fingem não ver.

Na teoria o Fair Play é até legal. É um conjunto de medidas, mas que na maioria dos casos  pode ser resumido quando um time, vendo que o adversário foi prejudicado por um choque ou uma contusão, interrompa o jogo colocando a bola para fora de campo. Em resposta à nobre atitude, espera-se que o adversário, depois de ter seu atleta atendido, devolva a bola de bom grado para que, em seguida, o jogo volte ao confronto normal.

No futebol brasileiro, ultimamente presenciamos cada vez mais partidas nas quais jogadores brigam, reclamam, desabafam e se lamentam pelo não cumprimento do Fair Play. O último fim de semana foi um exemplo. Tudo porque, justiça feita às devidas exceções, os brasileiros praticam com frequência um engenhoso expediente para tirar proveito dessa prática e distorcer o intuito do Fair Play. O que tem se tornado comum é que quando um time está vencendo, seus jogadores, principalmente nos minutos finais da partida, acontecem de sofrer contusões, cãibras e súbitos mal-estares. Muitos gemem, gritam e rolam na grama esperando que a partida seja interrompida em nome do tal Fair Play. O problema é que, de tão repetida, a cena ficou manjada e quem está atrás do marcador não aceita mais se submeter um gesto cordial de colocar a bola para lateral ou devolvê-la, sob o risco de premiar a dissimulação do rival que usa o Fair Play em benefício próprio.

Verdade que essa distorção do Fair Play talvez não tenha sido inventada aqui e certamente não é exclusividade nossa, mas a persistência generalizada no ato e o costume de reclamar sobre o próprio direito ao Fair Play, isso sim me soa como algo bem brasileiro.  Voltando ao que disse Camus sobre moral e futebol, pensei se não haveria na vida um reflexo do nosso Fair Play de cada dia naquele que não paga seus impostos, mas exige do governo o manejo justo do dinheiro público. Ou daquele que reclama por seus direitos individuais, mas para na vaga de deficientes só um “pouquinho” quando está com pressa (o que pode significar sempre). Ou daquele cidadão que se derrete pela maneira gentil com que é tratado no trânsito pelos estrangeiros, mas em seu país resiste em ceder o espaço do seu carro ou alguns segundos do seu tempo para os outros.

Os exemplos são quase infinitos.  E o que aprendemos sobre nossa moral, em nosso futebol e em nossa vida, é que Fair Play bom é Fair Play que me serve.

Ryszard Kapuscinsky

KapuscinskiAinda que a cidade de Pinks, onde nasceu, hoje faça parte da Bielorrússia, Kapuscinski sempre se referiu a si mesmo como polonês. Inclusive, entre as décadas de 60 e 80, trabalhando para a agência de notícias estatal da Polônia, ele teve a oportunidade de cobrir uma infinidade de conflitos, golpes de estado e revoluções na África e na América Latina que resultaram em muitos de seus livros.

Um deles, dos últimos a serem lançados antes de sua morte em 2007, chama-se A Guerra do Futebol. Apesar do nome, com referência ao embate armado entre El Salvador e Honduras no ano de 1969, a obra é uma reunião de impressionantes relatos sobre importantes acontecimentos em dezenas de países africanos e latinos entre os anos 60 e 70.

No que se refere ao título, Kapuscinsky traz a cobertura de uma guerra na América Latina entre os vizinhos Honduras e El Salvador que teve como estopim uma disputa entre os países por uma vaga para a Copa do Mundo do México em 1970. Uma rivalidade que explodiu do campo de jogo para o de batalha.

Com direito a imagens fortes do front de uma guerra furiosa e ao mesmo tempo inútil, o jornalista explica como a tensão por uma disputa de terras entre Honduras e El Salvador desaguou nas eliminatórias da Copa e acabou em um conflito armado sangrento.

Tudo começou quando agressões entre as torcidas tomaram conta dos jogos de ida, em que Honduras venceu por um a zero, e tomaram maiores proporções na partida volta, quando El Salvador fez três a zero e os jogadores hondurenhos escaparam de severas agressões  da torcida local. O terceiro jogo, o do desempate, só aconteceria na Cidade do México (El Salvador venceu por 3 a 2 e se classificou).guerra do futebol

Na realidade, o futebol foi um pretexto para um conflito que já se anunciava bem antes, quando El Salvador cobiçava as terras da vizinha Honduras que, por sua vez, exigia a retirada dos imigrantes salvadorenhos de seus territórios. No fim, a guerra terminou sem vencedor, mas com muitos mortos e dezenas de milhares de feridos. Uma atrocidade capitaneada pela irracionalidade do esporte mais popular do mundo, mas com profundas raízes socioeconômicas.

Consegui minha edição da Companhia das Letras em uma feira de livros pela metade do preço e precisei de poucos dias para atravessar todas as histórias que o autor conta com admirável profundidade histórica e domínio da narrativa. Depois de ler, é impossível não se espantar com o fato de conhecermos tão pouco os países africanos e muitos de nossos vizinhos na América Latina.

 

Roberto Gomes Bolaños

chavesQuem assistiu Chaves e Chapolin viu mais de uma vez (ou mais de dez vezes!) as referências futebolísticas do programa.

Principalmente nas brincadeira no pátio da Vila entre Chaves e Kiko, ficava explícito o gosto dos personagens pelo futebol.

Os bate-bolas foram também momentos que transpareciam o excelente trabalho dos dubladores aqui no Brasil que ajudaram a perpetuar o sucesso da série por tanto tempo. Os nomes de jogadores escolhidos na tradução ficaram marcados para fãs do programa.

Quantas crianças não brincaram imitando ser o Luís Pereira ou o Barbiroto, mesmo sem tê-los visto jogar?

Mas a relação de Roberto Gomes Bolaños com o futebol não para por aí.

Além de torcedor confesso do América do México, Bolaños chegou até a fazer um longa metragem em que vive um roupeiro da sua equipe de coração e conta com a participação de boa parte do time de atores da Vila como Carlos Villagrán (Kiko), Edgar Vivar (Seu Barriga) e Ramon Valdez (Seu Madruga).

O filme se chama El Chanfle (1979) e está disponível no YouTube.

RITA LEE

Rita LeeMuita gente diz que ela é a “Rainha do Rock brasileiro”. Como não sou fã de nenhum tipo de monarquia ou realeza, prefiro dizer que Rita Lee é a primeira-dama do estilo. Mulher que representa o rock em música, atitude e longevidade.

Para Caetano, ela é a “melhor tradução de São Paulo”. Da cidade de São Paulo, que fique bem claro. Porque nessa íntima relação de Rita Lee com a capital paulista, no futebol ela se dá com o Corinthians.

Figura marcante nos atos da Democracia Corinthiana, movimento que pleiteava maior participação de todos os jogadores nas decisões do clube no momento em que o país vivia uma Ditadura Militar, Rita Lee foi a comícios e até registrou cenas clássicas ao lado de Sócrates, Wladimir e Casagrande.

Algumas delas podem ser vista no documentário  “Democracia em Preto e Branco”, de Pedro Asbeg, em que Rita Lee faz a locução do bom filme que conta com imagens e depoimentos importantes e esclarecedores sobre o movimento que chacoalhou o Corinthians e, por tabela, a política brasileira.

Rita Lee também compôs uma música, com Arnaldo Baptista, seu lendário parceiro dos Mutantes, que cantava seu estranho gosto pelo sofrimento, tradução da sua paixão pelo Corinthians. A canção, de 1972, foi chamada “Amor em Preto e Branco”.

Até este blogueiro tem um pequeno causo futebolístico com Rita Lee. Na manhã seguinte a uma das mais vexaminosas eliminações do Corinthians na pré-Libertadores, contra o Tolima, pedi em tom despretensioso para que ela mandasse todos da minha timeline, que tripudiavam como o Corinthians naquele momento, tomarem naquele lugar.

Pois Rita Lee atendeu prontamente. Copiou meu pedido em seu próprio post e acrescentou: “Vão tomar no cu!”.

Tuite rita lee

Roberto Bolaño

Roberto BolañoNa carona da Copa do Mundo de 2014, a universidade norte-americana de Rochester criou uma outra modalidade: a Copa do Mundo de Literatura.

O torneio consistia em uma seleção de escritores de ficção de vários países representados por uma obra de sua autoria.

Como no mata-mata no futebol, a cada fase um autor era eliminado enquanto outro seguia à próxima etapa. Votação feita por um juri composto de 26 especialistas em literatura definia os vencedores.

O Brasil também não venceu esta Copa, mas também pode se consolar por ter sido eliminado pelo vencedor da competição. Representante brasileiro, Chico Buarque e seu livro Budapeste acabaram eliminados por Noturno do Chile, do chileno Roberto Bolaño que, mais a frente, se tornaria o grande campeão.

A diferença é que, ao contrário da humilhação sofrida pela seleção brasileira, a obra de Chico Buarque recebeu muitos elogios dos críticos e avaliadores, mas acabou superado pela qualidade de Bolaño, comparado pelos organizadores como um “Pelé-Beckham-Ronaldinho” da literatura mundial.

Aliás, Noturno do Chile há algum tempo já pode ser considerado um clássico da literatura contemporânea, por sua técnica e estilo. Para usar o jargão futebolística, é um livro feito em dois toques, isto é, dois parágrafos. Um bastante longo e descritivo e o outro composto por apenas oito linhas.

O tema da narrativa de Roberto Bolaño não poderia ser mais relevante: a ditadura chilena, dos tempos do brucutu Pinochet.

Quanto à Copa do Mundo de Literatura, os organizadores ficaram tão satisfeitos com o resultado que prometem uma nova competição durante o mundial de futebol feminino, em 2015. Dessa vez, apenas com escritoras.

 

 

 

Gabriel García Marquez

GaboHá três times de escritores latinos.

Um deles reúne aqueles que passaram sua vida indiferentes ao futebol. Assim era o argentino Julio Cortázar, que preferia acompanhar combates de boxe.

Outro time é formado por aqueles que desprezavam o futebol, gente do gabarito de Jorge Luis Borges, outro argentino que, de birra, chegou até a dar aulas durante a Copa do Mundo de 78, bem na hora do jogo da seleção argentina.

Mas há um terceiro time, recheado de grandes caras, que não só enalteciam o esporte das multidões como poderiam ser considerados torcedores comuns, com todas as fraquezas e alegrias que um apaixonado por futebol pode sentir.

Gabriel García Márquez, mais conhecido escritor colombiano, faz parte desta última seleção. Ainda que sua convocação tenha vindo tardiamente: só depois dos 20 anos é que Gabo foi seduzido pela arte de jogar com os pés e se tornou fervoroso hincha do Júnior de Barranquilla e admirador confesso de um craque brasileiro: Heleno de Freitas, que brilhara também no Botafogo.

E como qualquer torcedor, Gabriel García Márquez também sofreu com a Copa do Mundo. Conta-se que em 1994, durante o Mundial dos Estados Unidos, o escritor apostou uma Mercedez com um amigo que a seleção colombiana levaria o caneco.

Não se sabe se sua confiança vinha da profecia de Pelé que também acreditava no poder daquela que foi a mais forte seleção colombiana de todos os tempos, nem se Márquez pagou a aposta, embora seja conhecido de todos que aquele time da Colômbia amargou um retumbante fracasso ao ser eliminado na primeira fase.

O que não impediu ao grande cérebro (e grande cabeleira) daquela célebre equipe, Carlos “El Pibe” Valderrama,  de publicar uma generosa mensagem de despedida quando, em 17 de abril de 2014, Gabriel García Márquez entrou para outro time de escritores latinos, os eternos: “morre o ser humano, vive a lenda. Gabo, que sempre nos fez sonhar no mundo de suas letras, nos abandonou. Descanse em paz”.

Sebastián Bednarik: Figurinha do Uruguai

Sebastián BednarikSebastián Bednarik é, junto com Andrés Varela, diretor do documentário “Maracaná”, filme que reconta a história da Copa do Mundo de 1950.

(verdade que poderíamos ter figurinha dupla com os diretores, mas até a Panini abortou nesta Copa as tais figurinhas duplas. Então, o desempate elegeu Bednarik que já filmou outro filme sobre futebol em 2010: “Mundialito”, sobre o uso e a manipulação do futebol pela ditadura uruguaia).

Trágica para brasileiros, heróica para os uruguaios, a história da primeira Copa do Mundo pós-2ª Guerra é bastante conhecida, principalmente por seu apelido famoso (Maranazo): os brasileiros eram favoritos e acabaram derrotados no Maracanã com 200 mil pessoas.

A divulgação do filme destaca as imagens inéditas daquele Mundial restauradas em HD e outro mérito deste documentário é reunir diversas declarações dos principais personagens daquela Copa, como os  uruguaios Máspoli, Varela e Ghiggia, o técnico brasileiro Flávio Costa e o goleiro Barbosa, entre outros. Muitas dessas imagens recuperadas de antigas entrevistas já que boa parte deles já se foram.

Além de recriar cronologicamente os passos das duas equipes até a derradeira partida, não escapam detalhes de bastidores (ou nem tão de bastidores assim) que puderam somar influência no resultado da partida.

Merece atenção o pronunciamento do então prefeito do Rio de Janeiro Mendes de Morais, responsável pela construção do Maracanã, que com os jogadores das duas equipes perfilados no gramado faz um discurso mais do que eufórico em que postula, sem se envergonhar, como a seleção brasileira era imbatível e, portanto, já poderia se considerar campeã daquela Copa.

Nicoletta: Figurinha da França

NicolettaTenho um hábito eventual de procurar rádios ao redor do mundo.

Dia desses, sintonizei uma estação de Paris, a Chante de France, que toca música popular francesa.

Na segunda faixa, notei uma melodia familiar e, por mais estranho que pudesse soar, era impossível não admitir que estava ouvindo uma versão de Jorge Ben Jor cantada com biquinho. Mais especificamente, uma versão de “Fio Maravilha”, música que o cantor brasileiro dedicou ao folclórico atacante do Flamengo de mesmo nome e que fazia sucesso na Gávea nos anos 70.

Fui em busca da cantora dessa preciosidade e não demorei a encontrar o nome Nicoletta que, segundo as fontes consultadas, é uma popular cantora na França.

Prova de que antes de serem nossos carrascos no futebol, os franceses já admiravam a música feita por aqui.

Viggo Mortensen: Figurinha da Argentina

viggo mortensenO Aeroporto Internacional de Washington já foi cenário de uma quase-encrenca que o ator Viggo Mortensen protagonizou, sem que isso fosse parte do roteiro de um dos seus filmes de ação.

Torcedor confesso e ardoroso do San Lorenzo de Almagro, em 2012, enquanto o ator esperava seu voo, assistia pela internet o jogo do seu time do coração contra o Newells Old Boys quando, no finzinho da partida, o San Lorenzo desempata em 3 a 2.

Gritando “gol” e “Pipi” ao longo do saguão, Viggo Mortensen pula e comemora o lance decisivo até ser interrompido por dois policiais que perguntavam o que havia de errado com ele. Ao mesmo tempo que explicava não estar passando mal, que apenas vibrava com o gol do Pipi, tentava olhar por cima dos oficiais e continuar acompanhando os últimos lances da partida, já nos acréscimos.

Obviamente, nada além da vitória do San Lorenzo, aconteceu com o Aragorn de Senhor dos Anéis que, apesar de ter nascido em Nova Iorque, morou na Argentina quando criança e lá absorveu a indisfarçável paixão pelo futebol e pelas mesmas cores do San Lorenzo, que em sua lista de fanáticos possui outro torcedor ainda mais lustre: o Papa Francisco.